Mais da metade das mulheres teme andar na rua à noite; 4 em 10 deixam de sair por medo da violência
Pesquisa aponta que brasileiras têm percepção de insegurança mais ampla, marcada por medo de violência sexual e restrição de mobilidade


Emanuelle Menezes
Mais da metade das mulheres brasileiras afirma ter medo de andar pela própria vizinhança depois de anoitecer. É o que mostra a pesquisa "Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança", realizada pelo Datafolha a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Segundo o levantamento, 56,8% das mulheres dizem sentir medo de circular à noite perto de casa. Entre os homens, o índice é de 37,7%.
A percepção de insegurança também afeta diretamente a rotina feminina. De acordo com a pesquisa, 40,9% das mulheres deixaram de sair à noite nos últimos 12 meses por medo da violência. Entre os homens, o percentual foi de 29,8%.
O estudo aponta que o medo feminino é mais amplo e atinge diferentes dimensões da vida cotidiana.
"As mulheres não apenas temem mais: elas temem de forma mais abrangente e menos segmentada. No universo masculino, a hierarquia do medo é mais seletiva e mais concentrada em crimes patrimoniais e eventos violentos de rua. No universo feminino, a agenda do medo articula simultaneamente violência patrimonial, violência letal, violência sexual, violência no espaço doméstico e limitação da mobilidade cotidiana", afirma o relatório.
Ainda segundo o documento, a experiência feminina da insegurança é "totalizante", atravessando "a rua, a casa, o corpo e a rotina".
Medo de violência sexual aparece entre principais preocupações
A pesquisa destaca que o receio de sofrer agressão sexual ocupa posição central na percepção de insegurança entre as mulheres.
Segundo os dados, 82,6% das entrevistadas afirmaram ter medo de serem vítimas de violência sexual. Entre os homens, o índice é de 48,6%.
O relatório classifica essa diferença como um dos deslocamentos mais expressivos observados na comparação entre os gêneros.
"Entre os homens, o medo de agressão sexual é periférico na hierarquia: com 48,6%, ele aparece entre as últimas situações mais citadas. Entre as mulheres, o mesmo item salta para 82,6%, entrando no grupo dos medos centrais", diz o estudo.
De acordo com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, mulheres representam 87,7% das vítimas de estupro e estupro de vulnerável no país.
O levantamento ouviu de forma presencial 2.004 pessoas, com 16 anos ou mais, em 137 municípios brasileiros entre os dias 9 e 10 de março. A margem de erro para os dados gerais é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, mas no recorte por crime há variações a depender do delito. O nível de confiança é de 95%.








