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Porta-voz da Guarda Revolucionária do Irã é morto em ataque aéreo

Ali Mohammad Naini foi mais um alvo da ofensiva promovida por Estados Unidos e Israel contra o país

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Camila Stucaluc
20/03/2026, 09:49 • Atualizado em 20/03/2026, 09:49
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Ali Mohammad Naini, porta-voz da Guarda Revolucionária do Irã | Divulgação

Ali Mohammad Naini, porta-voz da Guarda Revolucionária do Irã | Divulgação

O porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã e vice-diretor de relações públicas, Ali Mohammad Naini, foi morto em um ataque aéreo lançado por Israel e Estados Unidos nesta sexta-feira (20). A informação foi divulgada pelo Exército israelense e confirmada pelo regime iraniano.

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Naini atuava como porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã desde 2024. Nas últimas semanas, elevou o tom contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desafiando o republicano a enviar navios para o Golfo Pérsico. Ele também garantiu que a indústria iraniana continuava produzindo mísseis para enfrentar os adversários no conflito.

“Naini atuou em vários cargos de propaganda e relações públicas. Em seu papel como principal propagandista da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã nos últimos 2 anos, ele disseminou a propaganda terrorista do regime para seus aliados por todo o Oriente Médio, a fim de influenciar e promover ataques terroristas contra Israel”, disseram as Forças de Defesa de Israel.

À mídia iraniana, o regime enviou uma nota confirmando que Naini foi morto “em um ataque criminoso e covarde realizado pelo lado americano-sionista”. As autoridades, contudo, não prometeram uma possível retaliação.

A morte de Naini ocorre em meio a uma série de ataques coordenados entre Estados Unidos e Israel contra autoridades do regime iraniano. Na quarta-feira (18), o ministro da Inteligência do Irã, Esmail Khatib, foi morto em um bombardeio em Teerã. Um dia antes, um ataque aéreo culminou na morte do chefe de segurança, Ali Larijani, e do chefe da força paramilitar Basij, Gholamreza Soleimani.

“Não vão nos desestabilizar”

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que os Estados Unidos e Israel não conseguirão desestabilizar o sistema político de Teerã com bombardeios. Em entrevista ao jornal Al Jazeera, o diplomata afirmou que “a presença ou ausência de um único indivíduo não afeta essa estrutura”.

“Não sei por que os americanos e os israelenses ainda não entenderam este ponto: a República Islâmica do Irã possui uma estrutura política forte, com instituições políticas, econômicas e sociais estabelecidas. A presença ou ausência de um único indivíduo não afeta essa estrutura”, disse Abbas Araqchi. “Se o ministro das Relações Exteriores viesse a ser morto, inevitavelmente haveria outra pessoa para ocupar o cargo", acrescentou.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.

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