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"Grave violação do cessar-fogo", diz Irã sobre ataques israelenses no Líbano

Vice-ministro das Relações Exteriores afirmou que país está incluído no acordo, instando os EUA a cumprirem as cláusulas acordadas

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Camila Stucaluc
09/04/2026, 09:28 • Atualizado em 09/04/2026, 09:28
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Vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh | Wikimedia Commons

Vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh | Wikimedia Commons

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh, criticou os ataques israelenses contra o Líbano, em ofensiva contra o grupo Hezbollah. Em declaração nesta quinta-feira (9), o diplomata afirmou que os bombardeios representam uma “grave violação” do cessar-fogo acordado no início da semana.

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"Foi uma espécie de genocídio, sabe, pelo regime de Israel no Líbano, logo após o cessar-fogo ser aceito", disse Khatibzadeh, ao programa Today da BBC. "É um tipo de prática que o regime israelense sempre fez: aceitar cessar-fogo, depois ataque surpresa, massacres”, acrescentou.

O ministro reforçou que o Líbano está incluído no cessar-fogo, assim como dito pelo Paquistão, mediador do acordo, mas negado por Israel e Estados Unidos. Ele informou que enviou uma mensagem à Casa Branca relatando a violação do acordo por parte de Israel, dizendo que o país deve “escolher se quer guerra ou paz”.

“Os Estados Unidos devem escolher se querem guerra ou paz. Eles não podem ter ambos ao mesmo tempo. Se o presidente [Donald] Trump está interessado na paz para todo o Oriente Médio, e como o Irã está comprometido com isso, pedimos a todos no Oriente Médio que cumpram esse acordo e este cessar-fogo”, disse.

Israel e Hezbollah voltaram a trocar hostilidades no início de março, encerrando o cessar-fogo firmado em novembro de 2024. Os ataques começaram após o grupo paramilitar, aliado do Irã, lançar drones contra Tel Aviv, em retaliação à operação coordenada entre Israel e Estados Unidos contra o programa nuclear de Teerã.

Desde então, as tropas israelenses atuam em todo o Líbano, incluindo na capital, Beirute. Além dos ataques aéreos, que já deixaram mais de 1,5 mil mortos e 4,8 mil feridos, os militares avançam por terra no sul do país, visando expandir a zona de segurança. Em 24 de março, o governo israelense anunciou a ocupação militar da região.

Khatibzadeh afirmou que o Irã reabrirá o Estreito de Ormuz, rota marítima de cerca de 20% do petróleo mundial, assim que os Estados Unidos cumprirem o acordo, referindo-se à agressão no Líbano. O vice-ministro reforçou que, embora Teerã cumpra as normas internacionais, o Estreito não está em águas internacionais, dizendo que a passagem segura depende “da boa vontade do Irã”.

Khatibzadeh afirmou que o Irã reabrirá o Estreito de Ormuz, rota marítima de cerca de 20% do petróleo mundial, assim que os Estados Unidos cumprirem o acordo, referindo-se à agressão no Líbano. O vice-ministro reforçou que, embora Teerã cumpra as normas internacionais, o Estreito não está em águas internacionais, dizendo que a passagem segura depende “da boa vontade do Irã”.

Apesar das críticas, Khatibzadeh sinalizou que não irá abandonar as negociações de paz, que acontecerão no Paquistão. Mais cedo, delegações norte-americanas e iranianas embarcaram para Islamabad, onde se encontrarão para a primeira rodada de diálogo na sexta-feira (10). A expectativa é que os debates durem até 15 dias, podendo ser estendidos por novos acordos.

Entenda

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos ainda escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, pressionando a economia.

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