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Trump diz que tropas dos EUA permanecerão no Irã até que países alcancem "acordo real"

Presidente norte-americano ameaçou ataques "maiores e mais fortes" caso Teerã não cumpra o tratado

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Camila Stucaluc
09/04/2026, 06:40 • Atualizado em 09/04/2026, 06:40
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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Divulgação/White House

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Divulgação/White House

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (9) que as tropas militares permanecerão na costa do Irã até que um “acordo real” seja alcançado. A declaração ocorre em meio às negociações de paz, após os países acordarem um cessar-fogo de duas semanas.

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"Todos os navios, aeronaves e militares dos Estados Unidos, com munição e armamento adicionais e tudo o mais que seja apropriado e necessário para a condução letal e a destruição de um inimigo já substancialmente enfraquecido, permanecerão posicionados no Irã e em seus arredores até que o acordo real alcançado seja totalmente cumprido", escreveu Trump, nas redes sociais.

“Se por algum motivo isso não acontecer, o que é altamente improvável, então o ‘os tiros começarão’, maiores, melhores e mais fortes do que qualquer coisa já vista antes", acrescentou o republicano.

Estados Unidos, Israel e Irã concordaram com um cessar-fogo de duas semanas na terça-feira (7). Posteriormente, delegações norte-americanas e iranianas embarcaram para Islamabad, no Paquistão, onde se encontrarão na sexta-feira (10) para a primeira rodada de negociações. A expectativa é que os debates durem até 15 dias, podendo ser estendidos por novos acordos.

Segundo o regime iraniano, as negociações visam finalizar os detalhes da proposta de cessar-fogo, composta por 10 pontos. Entre eles estão o fim dos ataques contra Teerã, a retirada das forças de combate dos Estados Unidos das bases regionais, as disposições sobre o trânsito no Estreito de Ormuz (rota marítima de cerca de 20% do petróleo mundial) e a suspensão de sanções primárias e secundárias contra o país.

A proposta conta ainda com regras para o enriquecimento de urânio no Irã. O programa é o foco central da tensão da guerra, com Estados Unidos e Israel acusando Teerã de produzir energia nuclear para criar armas nucleares (leia mais abaixo).

O tópico é sensível e parece estar distante de um acordo. Isso porque Trump afirmou que o Irã havia concordado em interromper o enriquecimento de urânio durante o cessar-fogo, fala que foi rebatida pelo presidente do parlamento iraniano, Mohammed Bager Qalibaf, que sustentou que o procedimento estava autorizado pela sexta cláusula do acordo aprovado.

Entenda

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos ainda escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, pressionando a economia.

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