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Trump anuncia cessar-fogo de duas semanas com o Irã

Presidente norte-americano diz ter chegado a um acordo para suspender ultimato mediante a reabertura do Estreito de Ormuz; Teerã confirma

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SBT News
07/04/2026, 22:42 • Atualizado em 08/04/2026, 03:15
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite desta terça-feira (7), por meio da rede social Truth Social, que aceitou uma proposta de cessar-fogo de duas semanas na guerra com o Irã.

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Segundo a agência de notícias iraniana Mehr, Teerã concordou os termos com a anuência do aiatolá Mojtaba Khamenei. À Reuters, funcionários da Casa Branca confirmaram que o armistício também envolve Israel. Por sua vez, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, confirmou que o Líbano, país-sede do Hezbollah, é outro contemplado.

A proposta, mediada pelo paquistaneses, foi formalizada a menos de 1h30 do fim do ultimato dado pelo republicano para a reabertura do Estreito de Ormuz, às 21h (horário de Brasília). O início do cessar-fogo está condicionado justamente à retomada “completa, imediata e segura” da passagem no Golfo, segundo o presidente norte-americano.

"Este será um CESSAR-FOGO bilateral! A razão para tal é que já cumprimos e superamos todos os objetivos militares e estamos muito avançados em um acordo definitivo sobre a PAZ a longo prazo com o Irã e no Oriente Médio. Recebemos uma proposta de 10 pontos do Irã e acreditamos que ela constitui uma base viável para a negociação. Quase todos os pontos de discórdia anteriores foram acordados entre os Estados Unidos e o Irã, mas um período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e consolidado", afirmou Trump.

O republicano havia escalado o tom durante a manhã ao dizer que, caso Ormuz não fosse reaberto para a passagem de navios petroleiros e de gás natural, os EUA iriam realizar um ataque massivo para destruir todas as pontes e usinas de energia do país, marcando uma escalada significativa no conflito iniciado no fim de fevereiro. "Uma civilização inteira morrerá esta noite para nunca mais ser ressuscitada", definiu mais cedo.

Na ONU, o embaixador iraniano, Amir Saeid Iravani, afirmou que as ameaças eram “profundamente irresponsáveis” e constituiam "incitação a crimes de guerra e potencialmente genocídio".

O Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural do mundo, foi declarado fechado pelo regime iraniano em 2 de março, que ameaçou atacar navios que infringissem a restrição. O local virou alvo de incidentes pontuais, com navios sendo atingidos por ataques e trechos sendo cercados de minas submarinas.

Desde então, Trump vinha pressionando aliados a ajudar os EUA nos esforços para reabrir a passagem. A falta de um apoio explícito fez o republicano ameaçar retirar-se da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e chamá-la de "tigre de papel".

O bloqueio levou o preço do Brent, barril de referência do petróleo, a disparar ao longo de março e se manter constantemente acima dos US$ 100, com o Irã ameaçando prolongar a guerra para forçar o preço a superar os US$ 200 e desencadear uma crise sem precedentes no mercado global de energia.

Termos do Acordo

A proposta iraniana, composta por 10 pontos e enviada aos Estados Unidos, inclui o trânsito controlado pelo Estreito de Ormuz, coordenado com as Forças Armadas do Irã, o fim dos ataques contra o país e grupos aliados, além da retirada das forças de combate dos Estados Unidos de todas as bases na região, segundo a mídia iraniana.

O documento também prevê a suspensão de todas as sanções primárias e secundárias, o pagamento de compensações integrais ao Irã e a liberação de ativos iranianos congelados.

O Irã afirmou ainda que as negociações com os EUA serão realizadas em Islamabad, no Paquistão.

Dia Tenso de Negociações

Enquanto o ultimato corria e o Paquistão buscava mediar um acordo entre as partes, ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel durante a madrugada miraram a ilha de Kharg, que serve como principal terminal de exportação de petróleo do Irã desde a década de 1960. Desde então, o país expandiu e modernizou sua infraestrutura ao longo das décadas. O local fica a cerca de 25 km da costa do Irã e a menos de 700 km a noroeste do Estreito de Ormuz.

Em resposta, o regime iraniano atacou instalações industriais da Arábia Saudita e atingiu um complexo petroquímico do rival e ameaçando escalar a guerra no Golfo – os sauditas tem um acordo de defesa mútuo com o Paquistão que também arrastaria o país para o conflito caso a Arábia entrasse formalmente na guerra.

Outros países com bases militares norte-americanas, como Catar, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, também confirmaram ter sido alvo de drones e mísseis iranianos, com a maior parte sendo abatida. A estratégia tem sido usada pelo Irã para abalar alianças norte-americanas no Oriente Médio e afetar a credibilidade dos EUA na região, já que não possui mísseis de alcance intercontinental para atingir diretamente o solo norte-americano.

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