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Trump diz considerar "seriamente" retirar Estados Unidos da Otan

Fala acontece em meio à relutância da aliança militar em auxiliar Washington a reabrir o Estreito de Ormuz

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Camila Stucaluc
01/04/2026, 11:25 • Atualizado em 01/04/2026, 11:25
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Presidente dos EUA, Donald Trump | Divulgação/White House

Presidente dos EUA, Donald Trump | Divulgação/White House

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que está considerando “seriamente” retirar os Estados Unidos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A declaração foi dada em entrevista ao jornal britânico Telegraph, divulgada nesta quarta-feira (1º).

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“Nunca me deixei influenciar pela Otan. Sempre soube que eles eram um tigre de papel”, disse Trump, citando uma expressão que se refere a algo que parece ser perigoso, mas é inofensivo.

A fala acontece em meio à relutância de países-membros da Otan em auxiliar os Estados Unidos a reabrir o Estreito de Ormuz. A rota marítima, por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial, foi fechada parcialmente pelo Irã, em retaliação à operação coordenada entre Washington e Israel contra o país.

A restrição do trajeto vem pressionando a economia global, sobretudo pela alta do petróleo. Em meio ao cenário, Trump pediu a ajuda a aliados para garantir a passagem de petroleiros no estreito. Inicialmente, os países negaram o pedido, temendo uma escalada do conflito. Na última semana, contudo, países europeus e o Japão disseram estar “prontos” para ajudar a liberar a passagem pela rota marítima.

As medidas, contudo, envolveriam ações coordenadas, como a retirada de minas impostas pelo Irã, e não num confronto direto com Teerã — o que desagradou Trump. Na terça-feira (31), o republicano subiu o tom, sobretudo contra o Reino Unido, dizendo que os países deveriam “tomar coragem e ir buscar seu próprio petróleo” no estreito.

“Criem coragem, vão até o Estreito e simplesmente o tomem. Vocês terão que aprender a lutar por si mesmos, os Estados Unidos não estarão mais lá para ajudá-los, assim como vocês não estiveram lá para nos ajudar. O Irã foi, essencialmente, dizimado. A parte difícil já passou. Vão buscar seu próprio petróleo”, escreveu o presidente norte-americano, nas redes sociais.

Horas depois, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse que o país iria avaliar a relação com a Otan após a guerra contra o Irã. “Acredito que não há dúvida de que, lamentavelmente, uma vez concluído este conflito, vamos ter que reavaliar essa relação. Vamos ter que reavaliar o valor da Otan dentro dessa aliança para o nosso país”, disse em entrevista à Fox News.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.

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