Trump avalia ampliar tropas no Oriente Médio e cogita ação terrestre no Irã, diz agência
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, governo americano avalia novas ações militares em meio à escalada do conflito com o Irã


Antonio Souza
com informações da Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avalia ampliar o envio de militares ao Oriente Médio e considera o uso de tropas terrestres em uma nova fase da guerra contra o Irã.
As informações foram divulgadas pela agência Reuters nesta quarta-feira (18), com base em fontes ligadas ao governo americano.
Segundo a agência, ainda não há decisão oficial sobre o envio de tropas terrestres. No entanto, um funcionário da Casa Branca afirmou que todas as opções seguem em análise.
Entre as possibilidades avaliadas por Trump estão garantir a passagem de navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz, ampliar as ações com forças aéreas e navais e enviar tropas terrestres para regiões estratégicas do Irã.
Uma das áreas consideradas é a ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo iraniano.
Operação terrestre é arriscado, diz especialistas
Especialistas ouvidos pela Reuters apontam que uma ofensiva terrestre seria altamente arriscada. O Irã possui capacidade militar para responder com mísseis e drones, o que aumentaria o risco de escalada do conflito.
Além disso, a medida pode gerar desgaste político para Trump, já que parte da população americana é contra o envolvimento em novas guerras.
Desde o início do conflito, em fevereiro, os Estados Unidos já realizaram milhares de ataques contra alvos militares iranianos. Segundo o Comando Central dos EUA, mais de 120 embarcações iranianas foram danificadas ou destruídas até agora.
De acordo com o governo americano, a operação tem como metas reduzir a capacidade de mísseis do Irã, enfraquecer a marinha iraniana, impedir ações de grupos aliados na região e evitar que o país desenvolva armas nucleares.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".
As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.









