Mesmo com alívio pontual, bloqueio do Estreito de Ormuz e guerra prolongada mantêm pressão sobre oferta e sustentam ganhos históricos
Exame.com
31/03/2026, 11:25 • Atualizado em 31/03/2026, 11:25
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Petróleo e gás disparam com guerra no Oriente Médio | Reuters/Hamad I Mohammed
O mercado global de petróleo registrou forte volatilidade nesta terça-feira (31), após investidores reagirem a sinais de possível redução das tensões entre Estados Unidos e Irã.
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O presidente Donald Trump indicou a assessores que avalia encerrar as operações militares no Irã, mesmo com o Estreito de Ormuz ainda bloqueado, segundo fontes ouvidas pelo The Wall Street Journal.
Os preços do petróleo têm alternado entre altas e quedas ao longo do dia.
No fim do pregão, o tipo Brent para maio subiu 0,58%, a US$ 113,43 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, avançou 0,02%, a US$ 102,90, segundo dados compilados pela Reuters.
Apesar da instabilidade recente, março caminha para um resultado altamente pressionado:
O Brent acumula alta de 59% no mês
O WTI sobe 58%
No trimestre, os ganhos são ainda mais expressivos: cerca de 86% para o Brent e 79% para o WTI.
Negociação em foco, mas riscos seguem
Analistas veem a sinalização da Casa Branca como parte de uma tentativa de acordo com o Irã, possivelmente envolvendo a entrega de urânio enriquecido em troca da preservação do regime.
"Isso é algo que os iranianos poderiam fornecer e, em troca, garantir a sobrevivência do regime."
Matt Gertken, estrategista-chefe de geopolítica da BCA Research
Para o estrategista-chefe de geopolítica da BCA Research, Matt Gertken, em entrevista à CNBC, o apetite de Trump por uma escalada militar mais ampla é limitado, o que reduz o risco de uma invasão total.
Especialistas apontam, porém, que os preços só devem aliviar de forma consistente quando o fluxo de navios no Estreito de Ormuz for normalizado.
Mesmo em caso de cessar-fogo, a reconstrução da infraestrutura afetada pode levar tempo, mantendo a oferta restrita no curto prazo.
Ataques e rotas alternativas
Hoje o Irã atingiu o petroleiro kuwaitiano Al Salmi, com capacidade para dois milhões de barris, próximo ao porto de Dubai.
O episódio reforça os riscos para o transporte de petróleo na região, inclusive fora do Estreito de Ormuz.
Diante disso, a Arábia Saudita passou a redirecionar exportações pelo Mar Vermelho. O fluxo para o porto de Yanbu saltou de cerca de 770 mil para 4,65 milhões de barris por dia, segundo dados da Kpler repercutidos pela Reuters.
Com rotas-chave praticamente paralisadas desde o fim de fevereiro, cresce o temor de falta de petróleo no mercado global.
A vice-presidente de mercados de commodities e petróleo da Rystad Energy, Lin Ye, alertou à Reuters que a manutenção do bloqueio em Ormuz pode levar a uma escassez física em larga escala.
"Com as reservas restantes do mercado de petróleo sendo gradualmente consumidas, a vulnerabilidade do mercado a um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz significa que estamos nos aproximando de uma escassez física de petróleo em uma área geográfica mais ampla, e o impulso de alta dos preços do petróleo provavelmente se fortalecerá ainda mais", explicou.
Petróleo oscila após Trump sinalizar recuo no IrãMesmo com alívio pontual, bloqueio do Estreito de Ormuz e guerra prolongada mantêm pressão sobre oferta e sustentam ganhos históricosEconomia2026-03-31T11:25:01.960ZO mercado global de petróleo registrou forte volatilidade nesta terça-feira (31), após investidores reagirem a sinais de possível redução das tensões entre Estados Unidos e Irã. O presidente Donald Trump indicou a assessores que avalia encerrar as operações militares no Irã, mesmo com o Estreito de Ormuz ainda bloqueado, segundo fontes ouvidas pelo The Wall Street Journal. + Preços oscilam, mas mês é histórico Os preços do petróleo têm alternado entre altas e quedas ao longo do dia. No fim do pregão, o tipo Brent para maio subiu 0,58%, a US$ 113,43 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, avançou 0,02%, a US$ 102,90, segundo dados compilados pela Reuters. Apesar da instabilidade recente, março caminha para um resultado altamente pressionado: No trimestre, os ganhos são ainda mais expressivos: cerca de 86% para o Brent e 79% para o WTI. Negociação em foco, mas riscos seguem Analistas veem a sinalização da Casa Branca como parte de uma tentativa de acordo com o Irã, possivelmente envolvendo a entrega de urânio enriquecido em troca da preservação do regime. "Isso é algo que os iranianos poderiam fornecer e, em troca, garantir a sobrevivência do regime." Matt Gertken, estrategista-chefe de geopolítica da BCA Research Para o estrategista-chefe de geopolítica da BCA Research, Matt Gertken, em entrevista à CNBC, o apetite de Trump por uma escalada militar mais ampla é limitado, o que reduz o risco de uma invasão total. Especialistas apontam, porém, que os preços só devem aliviar de forma consistente quando o fluxo de navios no Estreito de Ormuz for normalizado. Mesmo em caso de cessar-fogo, a reconstrução da infraestrutura afetada pode levar tempo, mantendo a oferta restrita no curto prazo. Ataques e rotas alternativas Hoje o Irã atingiu o petroleiro kuwaitiano Al Salmi, com capacidade para dois milhões de barris, próximo ao porto de Dubai. O episódio reforça os riscos para o transporte de petróleo na região, inclusive fora do Estreito de Ormuz. Diante disso, a Arábia Saudita passou a redirecionar exportações pelo Mar Vermelho. O fluxo para o porto de Yanbu saltou de cerca de 770 mil para 4,65 milhões de barris por dia, segundo dados da Kpler repercutidos pela Reuters. + Há risco de falta de petróleo? Com rotas-chave praticamente paralisadas desde o fim de fevereiro, cresce o temor de falta de petróleo no mercado global. A vice-presidente de mercados de commodities e petróleo da Rystad Energy, Lin Ye, alertou à Reuters que a manutenção do bloqueio em Ormuz pode levar a uma escassez física em . "Com as reservas restantes do mercado de petróleo sendo gradualmente consumidas, a vulnerabilidade do mercado a um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz significa que estamos nos aproximando de uma escassez física de petróleo em uma área geográfica mais ampla, e o impulso de alta dos preços do petróleo provavelmente se fortalecerá ainda mais", explicou.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/petroleo-oscila-apos-trump-sinalizar-recuo-no-ira