Economia

Petróleo oscila após Trump sinalizar recuo no Irã

Mesmo com alívio pontual, bloqueio do Estreito de Ormuz e guerra prolongada mantêm pressão sobre oferta e sustentam ganhos históricos

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Petróleo e gás disparam com guerra no Oriente Médio | Reuters/Hamad I Mohammed

O mercado global de petróleo registrou forte volatilidade nesta terça-feira (31), após investidores reagirem a sinais de possível redução das tensões entre Estados Unidos e Irã.

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O presidente Donald Trump indicou a assessores que avalia encerrar as operações militares no Irã, mesmo com o Estreito de Ormuz ainda bloqueado, segundo fontes ouvidas pelo The Wall Street Journal.

Preços oscilam, mas mês é histórico

Os preços do petróleo têm alternado entre altas e quedas ao longo do dia.

No fim do pregão, o tipo Brent para maio subiu 0,58%, a US$ 113,43 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, avançou 0,02%, a US$ 102,90, segundo dados compilados pela Reuters.

Apesar da instabilidade recente, março caminha para um resultado altamente pressionado:

  • O Brent acumula alta de 59% no mês
  • O WTI sobe 58%

No trimestre, os ganhos são ainda mais expressivos: cerca de 86% para o Brent e 79% para o WTI.

Negociação em foco, mas riscos seguem

Analistas veem a sinalização da Casa Branca como parte de uma tentativa de acordo com o Irã, possivelmente envolvendo a entrega de urânio enriquecido em troca da preservação do regime.

"Isso é algo que os iranianos poderiam fornecer e, em troca, garantir a sobrevivência do regime."

Matt Gertken, estrategista-chefe de geopolítica da BCA Research

Para o estrategista-chefe de geopolítica da BCA Research, Matt Gertken, em entrevista à CNBC, o apetite de Trump por uma escalada militar mais ampla é limitado, o que reduz o risco de uma invasão total.

Especialistas apontam, porém, que os preços só devem aliviar de forma consistente quando o fluxo de navios no Estreito de Ormuz for normalizado.

Mesmo em caso de cessar-fogo, a reconstrução da infraestrutura afetada pode levar tempo, mantendo a oferta restrita no curto prazo.

Ataques e rotas alternativas

Hoje o Irã atingiu o petroleiro kuwaitiano Al Salmi, com capacidade para dois milhões de barris, próximo ao porto de Dubai.

O episódio reforça os riscos para o transporte de petróleo na região, inclusive fora do Estreito de Ormuz.

Diante disso, a Arábia Saudita passou a redirecionar exportações pelo Mar Vermelho. O fluxo para o porto de Yanbu saltou de cerca de 770 mil para 4,65 milhões de barris por dia, segundo dados da Kpler repercutidos pela Reuters.

Há risco de falta de petróleo?

Com rotas-chave praticamente paralisadas desde o fim de fevereiro, cresce o temor de falta de petróleo no mercado global.

A vice-presidente de mercados de commodities e petróleo da Rystad Energy, Lin Ye, alertou à Reuters que a manutenção do bloqueio em Ormuz pode levar a uma escassez física em larga escala.

"Com as reservas restantes do mercado de petróleo sendo gradualmente consumidas, a vulnerabilidade do mercado a um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz significa que estamos nos aproximando de uma escassez física de petróleo em uma área geográfica mais ampla, e o impulso de alta dos preços do petróleo provavelmente se fortalecerá ainda mais", explicou.

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