Petroleiro do Kuwait é atingido por ataque iraniano no porto do Dubai
Embarcação carregada com 2 milhões de barris de petróleo estava a caminho da China; não houve feridos


Camila Stucaluc
Um petroleiro do Kuwait pegou fogo após ser atingido por um ataque iraniano na noite de segunda-feira (30). Segundo autoridades locais, a embarcação Al-Salmi, carregada com 2 milhões de barris de petróleo, estava atracada no porto do Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, a caminho da China.
Em comunicado, a Kuwait Petroleum Corporation (KPC) afirmou que o ataque provocou um incêndio e danos significativos no petroleiro, mas sem feridos. Inicialmente, a empresa temia um possível derrame de petróleo, mas o Corpo de Bombeiros de Dubai conseguiu conter o incidente, sem vazamentos no mar.
Paralelamente, as Forças Armadas do Kuwait afirmaram que estavam enfrentando ataques de mísseis e drones por todo o país. “O Estado-Maior do Exército observa que, se sons de explosão forem ouvidos, eles são resultado de sistemas de defesa aérea interceptando os ataques hostis”, disseram.
Os ataques iranianos contra o Kuwait ocorrem em retaliação à operação coordenada entre Estados Unidos e Israel contra o país. Apesar de o governo kuwaitiano não estar envolvido na ofensiva, o país é alvo de Teerã por abrigar bases militares norte-americanas na região. O mesmo acontece no Catar, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos.
“Lidamos, nas últimas 24 horas, com 13 drones hostis dentro do espaço aéreo kuwaitiano, o que resultou no ataque a um prédio de serviços em uma das usinas de energia e usinas de dessalinização de água, levando à morte de um de seus trabalhadores, além de danos materiais significativos ao edifício. Permanecemos em alerta máximo”, disse o porta-voz do Ministério da Defesa do Kuwait, Saud Abdulaziz Al-Otaibi.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".
As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.








