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Irã ameaça atacar hotéis do Golfo que abrigarem tropas dos EUA

Regime mira instalações no Bahrei e Emirados Árabes Unidos; ministro disse que instalações devem recusar reservas de militares

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Carros incendiados em Tel Aviv após mísseis iranianos | 24/3/2026/Reuters/Tomer Appelbaum

O Irã ameaçou atacar hotéis que abriguem tropas dos Estados Unidos no Golfo Pérsico. O alerta, citado pela agência Fars (afiliada do regime iraniano) foi enviado a todos os operadores do setor na região, dizendo que qualquer instalação que continue com a atividade será tratada como “alvo legítimo”.

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"Fontes informadas enfatizaram que o alerta do Irã aos hoteleiros da região é abrangente e definitiva, e que qualquer estabelecimento que abrigue militares estrangeiros, independentemente de sua localização geográfica, será considerado um alvo legítimo para as defesas da República Islâmica do Irã caso essa prática não seja imediatamente interrompida”, disse a agência.

A ameaça veio pouco tempo após uma reportagem do The New York Times relatar que muitos soldados norte-americanos se mudaram para hotéis e prédios comerciais no Golfo depois das bases militares onde estavam serem destruídas em ataques iranianos. Entre os locais citados estão Bahrein e Emirados Árabes Unidos.

Instalações usadas por tropas estrangeiras também foram identificadas em outras partes da região. Na Síria, segundo a Fars, o Sheraton Damascus Hotel e Palácio Presidencial em Damasco servem como pontos de encontro para autoridades israelenses, norte-americanas e britânicas, enquanto em Djibuti, fuzileiros navais dos Estados Unidos teriam sido transferidos para um abrigo no Aeroporto Internacional.

Pelas redes sociais, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, comentou o caso, dizendo que a atividade vem acontecendo desde o início do conflito, em 28 de fevereiro. “Eles estão usando civis do Golfo como escudos humanos. Hotéis nos Estados Unidos devem recusar reservas de agentes que possam colocar hóspedes em risco. Hotéis em países do Golfo deveriam fazer o mesmo”, escreveu.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.

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