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EUA e Irã se encontram no Paquistão para negociações de paz

Expectativa é que delegações iniciem debates nesta sexta-feira (10); diálogo permanece frágil devido aos ataques de Israel ao Líbano

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EUA e Irã se preparam para negociações de paz no Paquistão | Pexels

Autoridades dos Estados Unidos e do Irã devem se encontrar nesta sexta-feira (10), no Paquistão, para debater um acordo de paz. As novas negociações foram convocadas pelo primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, após os países concordarem com um cessar-fogo de 14 dias no início da semana.

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“Ambos as partes demonstraram notável sabedoria e compreensão, mantendo-se engajados de forma construtiva na promoção da causa da paz e estabilidade. Esperamos sinceramente que as 'Conversas de Islamabad' tenham sucesso em alcançar uma paz sustentável”, disse Sharif, que ajudou a intermediar o acordo de cessar-fogo.

Segundo o regime iraniano, as negociações visam finalizar os detalhes da proposta, composta por 10 pontos. Entre eles estão o fim dos ataques contra Teerã, a retirada das forças de combate dos Estados Unidos das bases regionais, as disposições sobre o trânsito no Estreito de Ormuz (rota marítima de cerca de 20% do petróleo mundial) e a suspensão de sanções primárias e secundárias contra o país.

A expectativa é que o período de negociação dure até 15 dias, podendo ser estendido por novos acordos. Sharif disse que vem recebendo ligações de líderes internacionais, que demonstraram apoio aos esforços diplomáticos para manter o cessar-fogo. Foi o caso do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, do presidente da França, Emmanuel Macron, do primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, e chanceler da Alemanha, Friedrich Merz.

Negociações frágeis

Apesar de acordadas, as negociações podem ser suspensas a qualquer momento, segundo o Irã. O regime acusa Israel de violar o cessar-fogo por continuar lançando ataques contra o grupo Hezbollah, no Líbano, país que, segundo Teerã e Paquistão, está incluso no acordo de trégua. Tel Aviv e Washigton, por sua vez, negam que o país faça parte do cessar-fogo.

“Interromper a guerra no Líbano é parte inseparável do entendimento de cessar-fogo proposto pelo Paquistão e, como o primeiro-ministro desse país anunciou explicitamente, os Estados Unidos se comprometeram a parar a guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei.

Na quinta-feira (9), contudo, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que deu instruções para que autoridades do país iniciem negociações de paz diretas com o Líbano. O diálogo, conforme comunicado, se concentrará no desarmamento do Hezbollah.

O governo libanês ainda não respondeu aos comentários de Netanyahu. Horas antes, o primeiro-ministro Nawaf Salam havia dito que apresentaria uma queixa urgente ao Conselho de Segurança Internacional sobre a escalada da ofensiva israelense no Líbano, que deixou mais de 250 mortos e 1,1 mil feridos na quarta-feira (8). Ao todo, a operação já matou 1.530 pessoas.

“Para preservar a segurança dos cidadãos, sua proteção e suas propriedades, solicita-se que o Exército e as forças de segurança prossigam imediatamente, fortalecendo o estabelecimento do controle total do Estado e aplicando rigorosamente as leis, tomando todas as medidas necessárias contra os infratores e encaminhando-os ao judiciário competente”, disse o premiê.

Entenda

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos ainda escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, pressionando a economia.

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