Trump conversa com premiê do Reino Unido sobre reabertura do Estreito de Ormuz: "Essencial"
Rota marítima foi fechada parcialmente pelo Irã em resposta à ofensiva coordenada entre EUA e Israel contra o país


Camila Stucaluc
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, conversaram por telefone na noite de domingo (22). Na ligação, os líderes debateram a situação no Oriente Médio, concordando com a necessidade de reabrir o Estreito de Ormuz.
“Eles concordaram que a reabertura do Estreito de Ormuz é essencial para retomar o transporte marítimo global e garantir a estabilidade no mercado global de energia”, disse o gabinete do premiê britânico, em comunicado. “Eles concordaram em falar novamente em breve”, acrescentou.
Rota marítima de cerca de 20% do petróleo mundial, o Estreito de Ormuz está praticamente fechado desde o fim de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel iniciaram uma operação coordenada contra o Irã. Os ataques iranianos contra embarcações estrangeiras preocupam o mercado, que teme possíveis interrupções prolongadas no fornecimento mundial de petróleo, pressionando a economia.
Em meio ao cenário, Trump pediu ajuda a aliados para garantir a passagem de petroleiros no estreito. Inicialmente, os países demonstraram relutância, temendo uma escalada do conflito, mas, na última semana, após uma forte oscilação levar o barril do petróleo Brent a US$ 117, países europeus, incluindo o Reino Unido, disseram estar “prontos” para ajudar a liberar a passagem pela rota marítima.
O anúncio foi criticado pelo Irã, que disse que os países que tentarem ajudar os Estados Unidos a reabrir o Estreito de Ormuz serão considerados “cúmplices” na agressão militar. O regime reforçou ainda que a rota marítima segue aberta, exceto para Washington, Israel e seus aliados.
Em resposta, Trump elevou o tom e ameaçou atacar a usina de energia no Irã caso o país não reabra o estreito até esta segunda-feira (23). Teerã rebateu, dizendo que, em caso de ataques, fechará totalmente a rota marítima e lançará mísseis contra os as infraestruturas de energia de países do Golfo Pérsico, onde os Estados Unidos possuem bases militares, e de Israel.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".
As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.









