Israel lança novos ataques contra Irã e Hezbollah e alerta para "conflito longo"
Forças de Defesa afirmaram que estão preparadas para "aprofundar a manobra e atacar", visando eliminar ameaças


Camila Stucaluc
As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) intensificaram as operações contra o Irã e o grupo Hezbollah, aliado de Teerã, no Líbano. Nesta segunda-feira (23), as tropas lançaram uma nova onda de ataques contra os países, numa campanha que descreveram como “longa” e “necessária”.
“Eles estão interligados. O Hezbollah é uma extensão central do regime terrorista iraniano, e cometeu um grave erro ao escolher se juntar à campanha contra Israel. Estamos preparados para uma campanha longa e continuaremos agindo conforme necessário – ofensiva e defensivamente”, disse o Chefe do Estado-Maior das IDF, Tenente-General Eyal Zamir.
No Irã, os militares afirmaram que lançaram mísseis contra alvos do regime, sobretudo na capital, Teerã. Na última semana, os bombardeios resultaram na morte de autoridades importantes do governo, incluindo o porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, Ali Mohammad Naini, o ministro da Inteligência, Esmail Khatib, e o chefe de segurança do país, Ali Larijani.
Já no Líbano, as tropas israelenses atuam sobretudo no sul do país, onde o Hezbollah é dominante. Além dos ataques aéreos, os militares avançam por terra, a fim de “eliminar ameaças”. No domingo (22), cerca de 15 quartéis-generais do grupo e locais de produção de armas foram atacados.
“A mensagem é clara: não há lugar seguro para o regime [iraniano] e seus aliados, e qualquer ameaça aos cidadãos do Estado de Israel será recebida com uma resposta determinada, precisa e poderosa. Estamos nos preparando para aprofundar a manobra e atacar, de acordo com um plano organizado. Não pararemos até que a ameaça seja eliminada”, disse Eyal Zamir.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".
As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.









