Dia das Mães: 9 em cada 10 brasileiras relatam esgotamento mental na maternidade, diz pesquisa
Com sobrecarga diária, culpa constante e risco de depressão, saúde mental materna ainda é negligenciada e impacta diretamente no desenvolvimento do filho
SBT News
Dia da Mães merece comemoração, mas também chama a atenção para o peso da maternidade. Uma pesquisa apontou que 9 em cada 10 mães brasileiras apresentam algum nível de esgotamento mental relacionado à maternidade. O levantamento, que ouviu cerca de 2 mil mulheres, identificou que apenas uma pequena parcela não apresenta sinais relevantes de exaustão.
Os dados mostram diferentes níveis desse esgotamento: cerca de 44% das mães apresentam sinais moderados, 33% leves e mais de 9% já estão em estágio grave, indicando um quadro amplo e progressivo de sofrimento emocional. O levantamento foi feito pela comunidade B2Mamy, em parceria com o aplicativo Kiddle Pass.
O impacto vai além do cansaço. A depressão pós-parto atinge cerca de 20% a 25% das mulheres no Brasil, segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Ministério da Saúde do Brasil. Em casos mais graves, transtornos mentais no período perinatal podem incluir pensamentos suicidas ou comportamentos de automutilação, conforme alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS).
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“A maternidade ainda é romantizada, mas os números mostram uma realidade muito diferente. Existe uma cobrança social intensa para que a mulher dê conta de tudo com leveza e felicidade constante, e isso gera um sofrimento silencioso”, explica Isa Minatel, neuropsicopedagoga e autora dos livros Crianças Sem Limites e Temperamentos Sem Limites.
Segundo a especialista, muitas mães vivem presas a crenças que reforçam esse sofrimento. “Uma das mais comuns é acreditar que são incompetentes ou que o filho é ‘difícil’, quando na verdade faltam ferramentas para lidar com situações desafiadoras. Isso alimenta um ciclo de culpa, exaustão e insegurança”, afirma.
A culpa materna aparece como um dos sentimentos mais frequentes. Para Isa, ela não deve ser ignorada, mas compreendida. “A culpa funciona como um sinal interno, como a luz do combustível no carro. Ela indica que algo precisa ser ajustado. O problema é quando essa culpa vira constante e paralisa, ao invés de orientar mudanças.”
A chamada dupla jornada, que combina trabalho profissional e cuidados com a casa e os filhos, também contribui para o desgaste.
Outro ponto de atenção, explica a especialista, é a dificuldade em diferenciar condições emocionais comuns do puerpério. O chamado “baby blues”, caracterizado por tristeza leve e passageira, não deve ser confundido com a depressão pós-parto, que exige acompanhamento especializado. “A depressão não é fraqueza, é uma condição de saúde que precisa ser tratada”, reforça Isa.
Os impactos dessa realidade não se limitam à mãe. Estudos apontam que a saúde mental materna está diretamente relacionada ao desenvolvimento físico, emocional e cognitivo da criança, conforme reforça a Organização Mundial da Saúde.
A especialista reforça a importância de buscar ajuda profissional, como psicólogos, especialistas em parentalidade e psiquiatras, além de fortalecer a rede de apoio familiar. Falar sobre o tema, inclusive, é parte essencial da mudança.
“Não se trata de ser uma mãe perfeita, mas de ter acesso a conhecimento, suporte e ferramentas que realmente funcionem. Quando a mãe está melhor, toda a dinâmica familiar muda.”
Dia das Mães: 9 em cada 10 brasileiras relatam esgotamento mental na maternidade, diz pesquisaCom sobrecarga diária, culpa constante e risco de depressão, saúde mental materna ainda é negligenciada e impacta diretamente no desenvolvimento do filhoSaúde2026-05-07T14:17:58.838ZDia da Mães merece comemoração, mas também chama a atenção para o peso da maternidade. Uma pesquisa apontou que 9 em cada 10 mães brasileiras apresentam algum nível de esgotamento mental relacionado à maternidade. O levantamento, que ouviu cerca de 2 mil mulheres, identificou que apenas uma pequena parcela não apresenta sinais relevantes de exaustão. Os dados mostram diferentes níveis desse esgotamento: cerca de 44% das mães apresentam sinais moderados, 33% leves e mais de 9% já estão em estágio grave, indicando um quadro amplo e progressivo de sofrimento emocional. O levantamento foi feito pela comunidade B2Mamy, em parceria com o aplicativo Kiddle Pass. O impacto vai além do cansaço. A depressão pós-parto atinge cerca de 20% a 25% das mulheres no Brasil, segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Ministério da Saúde do Brasil. Em casos mais graves, transtornos mentais no período perinatal podem incluir pensamentos suicidas ou comportamentos de automutilação, conforme alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS). “A maternidade ainda é romantizada, mas os números mostram uma realidade muito diferente. Existe uma cobrança social intensa para que a mulher dê conta de tudo com leveza e felicidade constante, e isso gera um sofrimento silencioso”, explica Isa Minatel, neuropsicopedagoga e autora dos livros Crianças Sem Limites e Temperamentos Sem Limites. Segundo a especialista, muitas mães vivem presas a crenças que reforçam esse sofrimento. “Uma das mais comuns é acreditar que são incompetentes ou que o filho é ‘difícil’, quando na verdade faltam ferramentas para lidar com situações desafiadoras. Isso alimenta um ciclo de culpa, exaustão e insegurança”, afirma. A culpa materna aparece como um dos sentimentos mais frequentes. Para Isa, ela não deve ser ignorada, mas compreendida. “A culpa funciona como um sinal interno, como a luz do combustível no carro. Ela indica que algo precisa ser ajustado. O problema é quando essa culpa vira constante e paralisa, ao invés de orientar mudanças.” A chamada dupla jornada, que combina trabalho profissional e cuidados com a casa e os filhos, também contribui para o desgaste. Impactos da culpa Outro ponto de atenção, explica a especialista, é a dificuldade em diferenciar condições emocionais comuns do puerpério. O chamado “baby blues”, caracterizado por tristeza leve e passageira, não deve ser confundido com a depressão pós-parto, que exige acompanhamento especializado. “A depressão não é fraqueza, é uma condição de saúde que precisa ser tratada”, reforça Isa. Os impactos dessa realidade não se limitam à mãe. Estudos apontam que a saúde mental materna está diretamente relacionada ao desenvolvimento físico, emocional e cognitivo da criança, conforme reforça a Organização Mundial da Saúde. A especialista reforça a importância de buscar ajuda profissional, como psicólogos, especialistas em parentalidade e psiquiatras, além de fortalecer a rede de apoio familiar. Falar sobre o tema, inclusive, é parte essencial da mudança. “Não se trata de ser uma mãe perfeita, mas de ter acesso a conhecimento, suporte e ferramentas que realmente funcionem. Quando a mãe está melhor, toda a dinâmica familiar muda.” São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/saude/dia-das-maes-9-em-cada-10-brasileiras-relatam-esgotamento-mental-na-maternidade-diz-pesquisa
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