Juíza morre após procedimento de coleta de óvulos em clínica em Mogi das Cruzes, na Grande SP
Magistrada do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul tinha 34 anos e morreu após complicações durante tratamento de fertilização

Naiara Ribeiro
Agência SBT
A Polícia Civil investiga a morte da juíza Mariana Francisco Ferreira, de 34 anos, após complicações depois de um procedimento de coleta de óvulos em uma clínica de reprodução assistida em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.
O procedimento foi feito na segunda-feira (4). Mariana fazia um tratamento para futura fertilização in vitro e passou pela coleta de óvulos por volta das 8h. Depois disso, de acordo com o boletim de ocorrência, a juíza voltou para casa, mas começou a sentir fortes dores, além de relatar muito frio, e a mãe a levou de volta à clínica por volta das 11h. Ainda segundo o registro policial, Mariana apresentava hemorragia vaginal e recebeu os primeiros atendimentos na unidade, incluindo uma sutura na região vaginal.
Após o atendimento, o médico pediu que a mãe levasse a magistrada para um hospital da região. Mariana deu entrada na unidade por volta das 17h e ficou internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Na terça-feira (5), a juíza passou por uma cirurgia e retornou para a UTI após o procedimento. Durante a madrugada de quarta-feira (6), ela sofreu duas paradas cardiorrespiratórias e não resistiu. A morte foi confirmada por volta das 5h.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou em nota que exames foram solicitados ao Instituto de Criminalística (IC) e ao Instituto Médico Legal (IML). O caso foi registrado como morte suspeita no 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes, e as investigações seguem em andamento.
A Agência SBT procurou o hospital onde Mariana morreu e a clínica onde o procedimento foi realizado e aguarda posicionamento das partes.
Quem era a juíza
Mariana Francisco Ferreira nasceu em Niterói, no Rio de Janeiro, e ingressou no Poder Judiciário do Rio Grande do Sul em dezembro de 2023. Inicialmente, foi designada para a 1ª Vara Judicial da Comarca de Parobé, no Rio Grande do Sul.
Ao assumir o cargo, contou que sonhava em se tornar juíza desde a adolescência e que começou a se preparar para a carreira em 2018, cinco anos antes de ser aprovada no concurso.
Em 2025, atuou no Juizado da 1ª Vara Regional de Garantias da Comarca de Porto Alegre e, depois, passou pela 1ª e 2ª Vara Criminal de São Luiz Gonzaga até ser designada, em fevereiro deste ano, para o Juizado da Vara Criminal de Sapiranga.
Entidades lamentam a morte
O presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), desembargador Eduardo Uhlein, decretou luto oficial de três dias. As bandeiras dos prédios do Tribunal e do Palácio da Justiça serão hasteadas a meio-mastro. Em nota, o TJRS afirmou que magistrados e servidores receberam “com profundo pesar” a notícia da morte da juíza Mariana.
A Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) também manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas da magistrada. A entidade lamentou a morte precoce da juíza e informou que o presidente da associação, Daniel Neves Pereira, entrou em contato com a família para prestar condolências.
A juíza-corregedora Viviane Castaldello Busatto, responsável pela Comarca de Sapiranga, onde a magistrada atuava, também lamentou a morte: “Com profunda tristeza nos despedimos da magistrada Mariana Francisco Ferreira, colega que marcou sua passagem pelo TJRS pelo zelo na apreciação das causas, pelo comprometimento com a efetividade das decisões e pelo entusiasmo e sensibilidade no exercício de suas funções. Neste momento de consternação, expressamos nosso pesar aos familiares e amigos, com a certeza de que o legado de compromisso com a Justiça jamais será esquecido”.









