Trump aumenta pressão sobre aliados para garantir segurança no Estreito de Ormuz
Presidente dos EUA afirmou que Otan pode enfrentar "futuro muito ruim" caso países não ajudem na região


Camila Stucaluc
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentou a pressão sobre aliados para garantir a segurança no Estreito de Ormuz. Em declaração no domingo (15), o republicano alertou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) enfrentará um futuro “muito ruim” se os países não cooperarem.
"É mais do que apropriado que as pessoas que se beneficiam do estreito ajudem a garantir que nada de ruim aconteça lá. Se não houver resposta ou se a resposta for negativa, acho que será muito ruim para o futuro da Otan”, disse Trump, em entrevista ao Financial Times.
Questionado sobre o tipo de assistência buscada, o republicano sugeriu que os aliados poderiam enviar navios caças-minas para o local. Ele também mencionou “ajuda” com as ameaças vindas do litoral iraniano, dizendo que os grupos mobilizados deveriam “eliminar agentes mal-intencionados” que estão ao longo da região.
Rota marítima de cerca de 20% do petróleo mundial, o Estreito de Ormuz está praticamente fechado desde o fim de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel iniciaram uma operação coordenada contra o Irã. Os ataques iranianos contra embarcações estrangeiras preocupam o mercado, que teme possíveis interrupções prolongadas no fornecimento mundial de petróleo, pressionando a economia.
Além de membros da Otan, Trump instou o Japão a se juntar ao “esforço coletivo” para proteger petroleiros no estreito, além da China e Coreia do Sul. Em resposta, a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, disse que não tem planos imediatos de enviar forças marítimas de autodefesa à região. “Continuamos examinando o que o Japão pode fazer de forma independente e o que pode ser feito dentro do marco legal”, disse.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".
As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.









