Brasil sobe em ranking de liberdade de imprensa e ultrapassa EUA pela 1ª vez
País conquistou a 52ª posição entre 180 países; cenário está no nível mais preocupante em 25 anos


Camila Stucaluc
O Brasil subiu cinco posições no ranking global de liberdade de imprensa do Repórteres Sem Fronteiras (RSF), conquistando a 52ª colocação. Isso significa que o país passou de “situação difícil" para "situação sensível", em uma melhora crescente desde 2022.
Ao todo, o RSF avalia 180 países, usando indicadores econômicos, legislativos, de segurança, políticos e sociais para medir o estado da liberdade de imprensa. Neste ano, pela primeira vez, mais da metade das nações (52%) se encontram em uma “situação difícil” ou “muito grave”, isto é, com exercício do jornalismo extremamente perigoso.
“Em 25 anos, a pontuação média de todos os países estudados nunca foi tão baixa. O desenvolvimento de um arsenal legislativo cada vez mais restritivo, particularmente ligado às políticas de segurança nacional, tem, desde 2001, corroído o direito à informação, mesmo nas democracias. O indicador jurídico foi o que mais caiu este ano, sinal da crescente criminalização do jornalismo”, disse a organização.

Entre as regiões mais perigosas para o exercício da imprensa estão a Europa Oriental, a Ásia Central, o Oriente Médio e o Norte da África. Isso é comprovado pela classificação da Rússia (172º), que permanece entre os piores colocados, e o Irã (177º), que caiu uma posição no ranking devido à forte repressão do país aos protestos contra o regime em 2025.
Em relação às Américas, o Brasil é apontado como um dos únicos países que apresenta movimento contrário à chamada “espiral de violência e repressão" na região. Segundo os analistas, o resultado vem da abertura de diálogo entre governo e imprensa, melhor acesso à informação pública e a um discurso oficial menos hostil aos jornalistas.
Isso fez o país ficar pela primeira vez à frente dos Estados Unidos, que caíram sete posições (64º), devido aos recorrentes ataques do presidente Donald Trump à imprensa. A detenção e deportação do jornalista salvadorenho Mario Guevara também contribuíram para o resultado. O profissional foi preso enquanto reportava ao vivo um protesto contra as políticas anti-imigração do governo.
De acordo com o levantamento, os apoiadores de Trump na América Latina seguem a estratégia contra a mídia. É o caso da Argentina de Javier Milei, que caiu 11 lugares no ranking (98º), e de El Salvador, comandado por Nayib Bukele, que perdeu oito posições (143º). Ambos os países registraram declínio significativo dos indicadores políticos e sociais, marcando um aumento na hostilidade e na pressão do governo à imprensa.
Outros países da América Latina também continuam em declínio. Equador (125º), por exemplo, perdeu 31 posições após os assassinatos dos jornalistas Darwin Bacon e Patrício Aguilar. O Peru (144º; -14 posições) também foi marcado pelo assassinato de quatro jornalistas em 2025, enquanto Venezuela (159º) e Cuba (160º) permanecem num cenário incerto e de crise. Na Nicarágua (168º), o panorama da mídia está em ruínas, caracterizado por repressão sistemática.
Veja os 10 primeiros colocados do ranking:
- Noruega
- Países Baixos
- Estônia
- Dinamarca
- Suécia
- Finlândia
- Irlanda
- Suíça
- Luxemburgo
- Portugal
Veja os 10 últimos colocados:
- Azerbaijão
- Rússia
- Turcomenistão
- Vietnã
- Afeganistão
- Arábia Saudita
- Irã
- China
- Coreia do Norte
- Eritréia









