Trump critica Israel por ofensiva em dia de acordo com o Irã
Presidente americano disse que ofensiva em Beirute "não deveria ter acontecido" em um dia "especial" em que tenta concluir um acordo com o governo iraniano

Presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca, em 10 de junho de 2026 | Reuters/Evan Vucci
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou neste domingo (14) um ataque israelense ao Líbano no dia em que tenta concluir um acordo preliminar com o Irã para pôr fim à guerra no Oriente Médio.
Os bombardeios de Israel mataram ao menos 3 pessoas e feriram outras 16 no subúrbio de Ghobeiri, ao sul de Beirute, conforme autoridades libanesas, enquanto Israel diz ter mirado líderes do grupo extremista Hezbollah. O episódio irritou os negociadores iranianos, que disseram que esses ataques mostravam que os EUA não tinham nem a vontade e nem capacidade de cumprir compromissos para estabilizar a segurança regional.
“O ataque desta manhã em Beirute não deveria ter acontecido, especialmente em um dia tão especial em que estamos tão perto de um acordo de paz com o Irã. Israel tem o direito de se defender contra ameaças, mas o ataque ao qual respondeu foi muito pequeno e insignificante; ninguém ficou ferido, lesionado ou morto, e não deve interromper este importante processo", disse Trump pela rede social Truth Social.

Apesar disso, o presidente americano disse que segue “muito perto” de concluir os termos de paz com o Irã. “Este pode ser o início de uma paz longa e bela – não vamos estragar tudo!", pediu.
Em comunicado, as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) informaram que bombardearam a sede do Hezbollah em Beirute em retaliação ao lançamento de mísseis contra Tel Aviv feito pelo grupo. Imagens aéreas mostram o momento do ataque:
Irã diz que acordo pode levar mais tempo
Apesar do crescente otimismo por um acordo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, indicou no sábado (13) que pode pedir mais tempo para as negociações, embora tenha demonstrado otimismo em uma conclusão dos termos.
“Embora o acordo não aconteça amanhã [domingo], a possibilidade de que ocorra nos próximos dias não pode ser descartada. A probabilidade de finalizar o memorando de entendimento nos próximos dias é alta”, disse Baghaei, em nota transmitida pela TV estatal do país.
No texto, o porta-voz enfatizou que a discussão estava focada inicialmente em encerrar a guerra para, depois, debater a questão nuclear.
Até o momento, Irã e Estados Unidos não divulgaram oficialmente o conteúdo do memorando de Islamabad, nomeado assim devido à mediação do Paquistão. Fontes ligadas aos governos indicam que o tratado prevê um novo cessar-fogo de 60 dias (incluindo o Líbano, onde Israel ataca o grupo Hezbollah, aliado de Teerã) e a abertura do Estreito de Ormuz, rota de passagem de 20% do petróleo mundial.
Além disso, espera-se que Washington flexibilize as sanções contra o Irã e que Teerã se comprometa a não obter ou desenvolver uma arma nuclear.















