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Acordo com Irã será assinado neste domingo (14), diz Trump

Memorando prevê cessar-fogo e abertura do Estreito de Ormuz; Teerã diz que negociações podem levar mais tempo

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Camila Stucaluc
14/06/2026, 10:21 • Atualizado em 14/06/2026, 12:35
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o acordo para encerrar a guerra no Irã está programado para ser assinado neste domingo (14). Segundo ele, o tratado prevê uma “barreira” para Teerã não ter armas nucleares, seja por desenvolvimento próprio ou aquisição.

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Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que ele era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vem pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como "positivo" pelas delegações. Dias depois, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel.

No começo de abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo, visando incentivar o avanço das negociações diplomáticas. Apesar de dizer estar satisfeito com o acordo elaborado, por intermédio do Paquistão, Trump afirmou que, se o processo não funcionar, já existe uma alternativa.

“Nossa relação com o Irã é muito diferente e melhor do que as administrações anteriores tiveram. Estamos ansiosos para trabalhar com o Irã e todo o Oriente Médio por muito tempo no futuro. Espero que todo esse processo funcione rápido, fácil e sem problemas. Se não funcionar, temos a alternativa definitiva, espero que nunca mais seja usada”, disse.

Irã diz que acordo pode levar mais tempo

Apesar do crescente otimismo por um acordo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, fez declarações no sábado (13) indicando que pode haver necessidade de mais tempo para as negociações.

“Embora o acordo não aconteça amanhã (domingo), a possibilidade de que ocorra nos próximos dias não pode ser descartada. A probabilidade de finalizar o memorando de entendimento nos próximos dias é alta”, disse Baghaei, em nota transmitida pela TV estatal do país. No texto, o porta-voz enfatizou que a discussão estava focada inicialmente em encerrar a guerra para, depois, debater a questão nuclear.

Até o momento, Irã e Estados Unidos não divulgaram oficialmente o conteúdo do acordo — nomeado de memorando de Islamabad, devido à mediação do Paquistão. Fontes ligadas aos governos indicam que o tratado prevê um novo cessar-fogo de 60 dias (incluindo o Líbano, onde Israel ataca o grupo Hezbollah, aliado de Teerã) e a abertura do Estreito de Ormuz, rota de 20% do petróleo mundial.

Além disso, espera-se que Washington flexibilize as sanções contra o Irã e que Teerã se comprometa a não obter ou desenvolver uma arma nuclear.

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