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"Possível se bloqueio naval acabar", diz Irã sobre negociações com EUA

Regime classificou cerco marítimo aos portos iranianos como “ilegal” e “criminoso”

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Amir Saeid Iravani, representante permanente do Irã na ONU | Divulgação/ONU

O Irã voltará a negociar um acordo de paz com os Estados Unidos somente quando Washington encerrar o bloqueio naval aos portos iranianos. A afirmação foi feita pelo representante de Teerã na Organização das Nações Unidas (ONU), Amir Saeid Iravani, na terça-feira (21).

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“Assim que Washington encerrar o bloqueio naval, acredito que a próxima rodada de negociações ocorrerá em Islamabad", disse Iravani, citado pela estatal Irna. "O Irã está preparado para qualquer cenário. Não fomos nós que iniciámos a agressão militar. Se eles procuram uma solução política, estamos prontos. Se procuram a guerra, o Irã também estará preparado”, acrescentou.

A declaração do diplomata foi dada pouco tempo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prorrogar o período de cessar-fogo com o Irã. Apesar da trégua, o republicado afirmou que as tropas militares continuarão bloqueando os portos iranianos, como forma de pressionar o regime a concordar com os termos de Washington no acordo de paz, incluindo sobre o programa nuclear (leia mais abaixo).

No fim de semana, o Irã denunciou o cerco marítimo como “ilegal” e “criminoso”, afirmando que o bloqueio representava uma violação do acordo de cessar-fogo. A declaração foi feita pelo porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqai, que enfatizou que a medida equivaleria a uma punição coletiva contra a população.

“O chamado "bloqueio" dos Estados Unidos aos portos ou à costa do Irã não é apenas uma violação do cessar-fogo mediado pelo Paquistão, mas também ilegal e criminoso. Viola a Carta da ONU e constitui um ato de agressão sob a Resolução da Assembleia Geral da ONU. Além disso, ao infligir deliberadamente punição coletiva à população iraniana, isso equivale a crime de guerra e crime contra a humanidade”, disse Baqai.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos ainda escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, pressionando a economia.

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