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Disputa no Estreito de Ormuz ameaça economia global e pode deixar efeitos por anos

Conflito no Golfo Pérsico já afeta combustíveis, fertilizantes e indústria global; normalização pode levar anos, mesmo com acordo

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exploração de petroleo
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Além da instabilidade no Estreito de Ormuz, especialistas alertam para um cenário prolongado de impactos na economia global. Após sete semanas de guerra, os danos ao abastecimento já são significativos e podem levar meses — ou até anos — para serem revertidos.

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O bloqueio no Golfo Pérsico tem efeitos diretos em diversas regiões. Na Nigéria, por exemplo, o preço do combustível de aviação disparou quase 300%, com impacto também na logística de distribuição, encarecida pelo aumento do diesel.

Na Europa, aeroportos operam com estoques limitados, suficientes para cerca de seis semanas. Autoridades já consideram o uso de reservas estratégicas para evitar uma crise mais ampla no transporte aéreo, caso o fluxo marítimo não seja normalizado.

O impacto vai além do petróleo. O Estreito de Ormuz é uma rota crucial para o escoamento de fertilizantes, gás hélio — essencial para semicondutores e equipamentos médicos —, além de petroquímicos usados na produção de medicamentos e enxofre para a indústria metalúrgica.

A disrupção já atinge até cadeias menos óbvias. Na Malásia, a maior fábrica de preservativos do mundo, que produz cerca de 5 bilhões de unidades por ano, enfrenta alta de até 30% nos preços, com risco de novos aumentos.

Especialistas apontam que, quanto mais o conflito se prolongar, maior será o número de setores e países afetados. E mesmo com um eventual acordo, a recuperação não será imediata.

O transporte marítimo ajuda a explicar o gargalo. Navios-tanque levam dias apenas para serem carregados e enfrentam filas para atravessar o Estreito de Ormuz, que opera com tráfego limitado. A viagem até destinos como o Brasil pode levar pelo menos um mês, agravando ainda mais os atrasos.

Para o professor Gabriel Messias Fuentes, da Escola Norueguesa de Economia, os efeitos devem persistir mesmo após o fim das hostilidades. “Ainda haverá pressão, principalmente para os navios que estão saindo, e restrições para aqueles que precisam entrar”, afirma.

Outro fator crítico é a infraestrutura. Pelo menos 40 refinarias de petróleo e gás na região foram atingidas durante o conflito, e a reconstrução deve levar anos.

Diante desse cenário, a comunidade internacional acompanha com atenção os próximos movimentos de Irã e Estados Unidos, enquanto tenta se preparar para os impactos de uma crise que pode se estender muito além do campo de batalha.

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