Disputa no Estreito de Ormuz ameaça economia global e pode deixar efeitos por anos
Conflito no Golfo Pérsico já afeta combustíveis, fertilizantes e indústria global; normalização pode levar anos, mesmo com acordo

SBT Brasil
Sérgio Utsch
Além da instabilidade no Estreito de Ormuz, especialistas alertam para um cenário prolongado de impactos na economia global. Após sete semanas de guerra, os danos ao abastecimento já são significativos e podem levar meses — ou até anos — para serem revertidos.
O bloqueio no Golfo Pérsico tem efeitos diretos em diversas regiões. Na Nigéria, por exemplo, o preço do combustível de aviação disparou quase 300%, com impacto também na logística de distribuição, encarecida pelo aumento do diesel.
Na Europa, aeroportos operam com estoques limitados, suficientes para cerca de seis semanas. Autoridades já consideram o uso de reservas estratégicas para evitar uma crise mais ampla no transporte aéreo, caso o fluxo marítimo não seja normalizado.
O impacto vai além do petróleo. O Estreito de Ormuz é uma rota crucial para o escoamento de fertilizantes, gás hélio — essencial para semicondutores e equipamentos médicos —, além de petroquímicos usados na produção de medicamentos e enxofre para a indústria metalúrgica.
A disrupção já atinge até cadeias menos óbvias. Na Malásia, a maior fábrica de preservativos do mundo, que produz cerca de 5 bilhões de unidades por ano, enfrenta alta de até 30% nos preços, com risco de novos aumentos.
Especialistas apontam que, quanto mais o conflito se prolongar, maior será o número de setores e países afetados. E mesmo com um eventual acordo, a recuperação não será imediata.
O transporte marítimo ajuda a explicar o gargalo. Navios-tanque levam dias apenas para serem carregados e enfrentam filas para atravessar o Estreito de Ormuz, que opera com tráfego limitado. A viagem até destinos como o Brasil pode levar pelo menos um mês, agravando ainda mais os atrasos.
Para o professor Gabriel Messias Fuentes, da Escola Norueguesa de Economia, os efeitos devem persistir mesmo após o fim das hostilidades. “Ainda haverá pressão, principalmente para os navios que estão saindo, e restrições para aqueles que precisam entrar”, afirma.
Outro fator crítico é a infraestrutura. Pelo menos 40 refinarias de petróleo e gás na região foram atingidas durante o conflito, e a reconstrução deve levar anos.
Diante desse cenário, a comunidade internacional acompanha com atenção os próximos movimentos de Irã e Estados Unidos, enquanto tenta se preparar para os impactos de uma crise que pode se estender muito além do campo de batalha.









