Irã alerta EUA após ameaça contra instalações nucleares
Comando militar afirmou que ação pode ampliar guerra e prometeu atingir 'pontos de interesse' norte-americanos

Bandeira do Irã | Pexels
O comando militar do Irã alertou, na terça-feira (21), que qualquer ataque dos Estados Unidos a instalações nucleares iranianas será tratado como uma ampliação da guerra. Neste caso, o regime afirmou que revidará com bombardeios a locais de interesse de Washington e de seus aliados.
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“Os EUA ameaçaram atacar as instalações nucleares do Irã e outros locais sensíveis. Se avançarem para tal estágio, consideraremos isso uma ampliação da guerra. Todos os interesses dos EUA, bem como de seus aliados e apoiadores, se tornarão alvos de ataques poderosos”, disse o comando militar, em comunicado divulgado pela estatal IRIB.
A declaração ocorreu após o presidente norte-americano, Donald Trump, dizer que atacará “muito em breve” a região da Montanha Pickaxe. Localizada nas proximidades do complexo nuclear Natanz, um dos principais centros de enriquecimento de urânio do Irã, a montanha é um complexo de túneis subterrâneos com mais de 100 metros de profundidade.
Natanz está na mira de Washington desde 2025, quando foi atacado parcialmente, devido à sua relevância para o programa nuclear iraniano. O local voltou a ganhar relevância após relatórios de inteligência indicarem que Teerã teria transferido centrífugas nucleares para os túneis da montanha. A movimentação, no entanto, ainda não foi confirmada oficialmente.
"Provavelmente, vamos atacar essa área muito em breve. E não é algo que eles possam fazer a respeito. Sabe, normalmente eu não diria isso; se eu achasse que eles poderiam fazer algo a respeito, eu nunca diria. Mas vamos atacar essa área muito em breve, e com muita força”, disse Trump.
Entenda
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como "positivo" pelas delegações. Dias depois, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. As hostilidades ainda escalaram para o Estreito de Ormuz, pressionando a economia global.
Em abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo. Um memorando de entendimento foi firmado entre os países em junho, ampliando o cessar-fogo para um acordo definitivo. A trégua, no entanto, foi interrompida após os Washington retaliar supostos ataques iranianos contra embarcações em Ormuz. Teerã revidou, resultando em novas trocas de hostilidades.














