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Irã: Como Washington e Teerã chegaram a este novo impasse

Enquanto EUA e Irã mantêm conversas em Omã para evitar uma nova escalada, Donald Trump decreta o fim do cessar-fogo e o Estreito de Ormuz continua sob tensão

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Patrícia Vasconcellos
12/07/2026, 11:57 • Atualizado em 12/07/2026, 11:57
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Navio navega perto do Estreito de Ormuz | Foto: Reuters/Stringer

Navio navega perto do Estreito de Ormuz | Foto: Reuters/Stringer

Washington DC - Poucas vezes a geopolítica produziu uma imagem tão contraditória quanto a deste sábado, 11 de julho. De um lado, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, desembarcou em Omã para mais uma rodada de negociações indiretas com representantes dos Estados Unidos. O objetivo imediato é reduzir a tensão no Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. Do outro, o presidente Donald Trump reafirmou que o cessar-fogo entre Washington e Teerã "acabou". Mesmo assim, confirmou que aceitou o pedido iraniano para continuar as negociações.

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À primeira vista, parece um contrassenso mas talvez seja justamente esta a fotografia mais fiel do Oriente Médio em 2026. A diplomacia nunca esteve tão próxima da guerra e o conflito militar nunca caminhou tão perto dos canais diplomáticos. Os acontecimentos desta semana ilustram essa nova realidade.

Depois que três petroleiros comerciais ligados ao Catar e à Arábia Saudita foram atacados nas proximidades do Estreito de Ormuz, os Estados Unidos responderam com bombardeios contra alvos iranianos na semana passada. O Irã retaliou atingindo instalações militares americanas em países do Golfo. Embora esta sexta-feira (10) tenha transcorrido sem novos ataques, a percepção em Washington é a de que a crise está longe de ser superada.

A prioridade norte americana mudou de foco

Mais do que discutir imediatamente um acordo nuclear, a Casa Branca passou a exigir que Teerã faça uma declaração pública comprometendo-se a interromper qualquer ataque contra embarcações comerciais e a garantir a livre navegação no Estreito de Ormuz, sem restrições nem cobranças pelo trânsito dos navios. Essa informação surgiu no fim da sexta-feira, quando autoridades da Casa Branca conversaram por telefone com um grupo restrito de jornalistas norte-americanos.

Para Washington, esse é hoje o teste mais simples e ao mesmo tempo mais importante para medir se o governo iraniano é capaz de cumprir qualquer compromisso futuro internacional.

A exigência tem peso econômico e político. Antes da guerra, aproximadamente um em cada cinco barris de petróleo consumidos no planeta passava diariamente por Ormuz. Desde o recrudescimento do conflito, o fluxo de navios diminuiu de forma significativa, as seguradoras elevaram os custos para operar na região e o petróleo registrou sua maior alta semanal em quase dois meses, reacendendo temores sobre inflação e crescimento econômico global.

Em Washington, a preocupação vai além da segurança marítima. Com as eleições legislativas de novembro se aproximando, uma nova disparada dos combustíveis poderia produzir efeitos políticos internos para Donald Trump, que transformou a redução dos preços da energia em uma de suas principais bandeiras econômicas.

Enquanto isso, em Teerã, o discurso segue marcado pela desconfiança. O governo iraniano afirma que cumpriu os compromissos assumidos anteriormente e acusa os Estados Unidos de terem rompido os termos do cessar-fogo ao retomarem os ataques militares nesta semana. Também sustenta que responderá "de forma recíproca" caso Washington volte a violar os entendimentos alcançados pelos mediadores regionais.

É justamente essa convivência entre acusações, bombardeios e negociações que torna este conflito diferente de tantos outros. Em guerras convencionais, costuma haver uma sequência relativamente clara: combate, negociação e paz.

Na crise entre Estados Unidos e Irã, essas três etapas passaram a acontecer simultaneamente. Os diplomatas conversam enquanto os militares permanecem em alerta máximo. As delegações desembarcam em Omã ao mesmo tempo em que navios militares americanos continuam posicionados no Golfo Pérsico. Os mercados acompanham cada declaração oficial com a certeza de que uma única frase pode alterar o preço internacional do barril de petróleo antes mesmo que um tiro seja disparado.

Por fim, há um outro elemento que ajuda a explicar essa dinâmica. Nem Washington nem Teerã parecem desejar uma guerra prolongada. Os custos militares, econômicos e políticos seriam elevados para ambos. Mas também nenhum dos dois governos aceita transmitir ao adversário ou à própria opinião pública qualquer sinal de recuo. A consequência é um equilíbrio extremamente frágil. Cada gesto de aproximação precisa ser compensado por uma demonstração de força e cada reunião diplomática vem acompanhada de uma ameaça.

Enquanto diplomatas discutem segurança marítima em Omã, navios continuam a cruzar uma das rotas comerciais mais estratégicas do planeta sob escolta militar em um futuro para a região, mais uma vez, por mais um fim de semana incerto.

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