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Por que o Estreito de Ormuz voltou ao centro da geopolítica

Importante rota para o comércio de energia, a passagem tem papel central nas disputas entre Estados Unidos e Irã

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Julia Delaosa
Navios-tanque navegam no Golfo Pérsico, perto do Estreito de Ormuz | Foto: Reuters/Stringer - 11.03.2026

Navios-tanque navegam no Golfo Pérsico, perto do Estreito de Ormuz | Foto: Reuters/Stringer - 11.03.2026

Os recentes ataques contra embarcações comerciais no Estreito de Ormuz voltaram a acender um alerta internacional. Os Estados Unidos realizaram uma série de ataques contra o Irã após três embarcações comerciais serem atingidas na região.

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O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou nesta terça-feira (7) que iniciou a ofensiva com o objetivo de "impor um alto custo a quem ataca navios comerciais tripulados por pessoas inocentes em uma rota internacional".

Segundo a agência britânica United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO), os três petroleiros foram atingidos em um intervalo de 24 horas, entre segunda-feira (6) e terça-feira (7). Não houve registro de vítimas.

O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo estratégico localizado no Oriente Médio, que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Pela passagem circula uma grande parte do petróleo e do gás comercializados no mundo.

Após os ataques, os Estados Unidos anunciaram novas ações militares contra alvos iranianos e afirmaram que Teerã estava por trás das ações contra os petroleiros. O Irã nega envolvimento, mas a escalada aumentou a tensão no Oriente Médio.

A região também chama atenção pela sua geografia. O estreito possui apenas 34 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito, uma característica que aumenta a importância estratégica da passagem.

Uma das principais rotas de energia do mundo

O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Por essa passagem são transportadas produções de petróleo de grandes exportadores.

Segundo dados do governo dos Estados Unidos, cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo passam normalmente pelas rotas marítimas da região. Os carregamentos incluem petróleo e derivados provenientes do Irã, Iraque, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Um relatório de 2025 da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos destacou que existem poucas alternativas para retirar o petróleo da região caso o estreito seja fechado.

A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos possuem algumas estruturas de oleodutos que permitem desviar parte do transporte. No entanto, grande parte do petróleo produzido no Golfo ainda depende da passagem pelo Estreito de Ormuz para chegar ao mercado internacional.

Mais de 10 navios de carga foram atacados na região do Golfo Pérsico, no Estreito de Ormuz e no Golfo de Omã desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, segundo balanço divulgado pela United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO), órgão responsável pelo monitoramento da segurança marítima na região.

Como ataques a petroleiros podem afetar a economia mundial?

O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas de transporte de energia do planeta. Cerca de 20 milhões de barris de petróleo passam diariamente pela região, volume equivalente a aproximadamente 20% do consumo mundial.

Por causa dessa importância, qualquer ataque ou ameaça contra petroleiros gera preocupação nos mercados internacionais.

Mesmo sem um fechamento oficial da passagem, o aumento da tensão pode levar empresas de navegação a reforçarem a segurança, alterarem rotas, reduzirem viagens ou pagarem seguros marítimos mais caros.

Esses fatores aumentam os custos do transporte e ampliam o risco de interrupções no abastecimento de petróleo.

No mercado internacional, a expectativa de uma oferta menor já é suficiente para pressionar o preço do barril. Com o petróleo mais caro, os combustíveis tendem a subir, elevando também os custos do transporte de mercadorias e da produção industrial.

Como consequência, alimentos, produtos e serviços podem ficar mais caros, aumentando a pressão sobre a inflação em diferentes países.

Por que Estados Unidos e Irã disputam essa área?

O presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca | REUTERS/Ken Cedeno
O presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca | REUTERS/Ken Cedeno

O Estreito de Ormuz é uma área estratégica para Estados Unidos e Irã por concentrar uma das principais rotas de transporte de petróleo e gás do mundo.

Os Estados Unidos mantêm presença militar na região para garantir a liberdade de navegação e proteger aliados no Golfo Pérsico. Já o Irã utiliza a importância estratégica do estreito como instrumento de pressão em momentos de tensão com o Ocidente.

Como cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo passa pela região, qualquer ameaça à navegação pode afetar o abastecimento de energia e gerar impactos na economia global.

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