Petróleo e dólar sobem após fala de Trump sobre cessar-fogo
Mercado acompanha crise no Oriente Médio e aguarda a ata do Fed para definir o rumo do dólar

Presidente dos EUA, Donald Trump, fala com membros da mídia a bordo do Air Force One, em 5 de junho de 2026 | Reuters/Nathan Howard
O dólar operava nesta quarta-feira (8) próximo da maior cotação em cerca de uma semana, sustentado por um novo capítulo envolvendo Estados Unidos e Irã. O índice da moeda americana, DXY, que mede sua força frente a outras moedas, variava pouco, aos 101,15 pontos, mas permanecia perto da máxima desde 2 de julho.
O pano de fundo é a escalada no Oriente Médio. O presidente Donald Trump classificou como "over" (encerrado, na tradução livre do inglês) o cessar-fogo firmado entre os dois países para encerrar o conflito.
A declaração veio horas depois de a Guarda Revolucionária do Irã afirmar ter atingido instalações militares dos EUA no Bahrein e no Kuwait. Teerã relatou que o ataque foi uma resposta à onda de bombardeios americanos após ataques a petroleiros na rota de escoamento do Estreito de Ormuz.
Falas de Trump sobre guerra não são tão definitivas
A chefe de estratégia cambial do Rabobank, Jane Foley, avaliou, porém, que o mercado já não trata as declarações do presidente americano como definitivas. "O dólar reagiu, mas o mercado aprendeu a receber os comentários de Trump com certa cautela."
"As declarações podem ter o objetivo de levar a oposição à mesa de negociações. Ainda assim, elas elevarão um pouco mais o nível de apreensão", segundo Foley. As informações são da Reuters.
Ata do Fed divulgada hoje é um novo teste para o dólar
Para o dólar, o próximo teste vem de Washington. Ainda nesta quarta-feira será divulgada a ata da reunião de junho do Federal Reserve (Fed), a primeira sob o comando do presidente Kevin Warsh.
O estrategista de câmbio do ING, Francesco Pesole, espera que o documento reforce o discurso mais duro adotado pela autoridade monetária desde o encontro.
"Com base nas comunicações após a reunião, vemos um risco limitado de uma surpresa de tom mais brando (dovish) na ata. Esperamos a consolidação da mensagem de tom mais rígido (hawkish), reforçando o ímpeto do dólar", ressaltou.
O estrategista ponderou, todavia, que um avanço mais expressivo da moeda americana não deve ocorrer, já que o mercado tende a hesitar em reprecificar de forma agressiva as apostas para os juros após os dados fracos de emprego divulgados na semana passada.
Petróleo sobe forte e dólar avança frente ao iene japonês
O petróleo, por outro lado, sentiu o impacto de forma mais direta. O Brent era negociado a US$ 78,01 o barril, alta de 5,19%, no segundo pregão consecutivo de valorização, por volta das 7h37 (horário de Brasília). Mais cedo a alta ultrapassou os 6%.
Entre as demais moedas, o dólar acumulava a quarta sessão consecutiva de alta frente ao iene japonês, com avanço de 0,24%, para 162,48 ienes, nível que mantém investidores atentos a uma possível intervenção das autoridades japonesas.
Nova Zelândia sobe juros e dólar também avança por lá
Já o banco central da Nova Zelândia elevou a taxa básica de juros em 25 pontos-base, para 2,5%, decisão já esperada pela maioria dos economistas e justificada, conforme analistas do Westpac, pela necessidade de conter a inflação.
O dólar neozelandês chegou a subir com mais força ao longo do dia, mas perdeu parte dos ganhos e era negociado em alta de 0,26%, a US$ 0,5691.














