Mundo

Irã responde e ataca bases militares dos EUA no Golfo

Mísseis e drones foram reportados no Bahrein e no Kuwait; Teerã acusa Washington de violar cessar-fogo

Avatar de Camila Stucaluc
Camila Stucaluc
08/07/2026, 06:34 • Atualizado em 08/07/2026, 06:34
compartilhar
Irã responde e ataca bases militares dos EUA no Golfo | Reprodução/Reuters

Irã responde e ataca bases militares dos EUA no Golfo | Reprodução/Reuters

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) lançou, nesta quarta-feira (8), novos ataques contra bases militares dos Estados Unidos no Golfo Pérsico. A ofensiva ocorreu em retaliação aos bombardeios norte-americanos contra alvos iranianos, na noite anterior.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom, na sigla em inglês), foram atacados mais de 80 alvos iranianos, incluindo defesa aérea, radares costeiros e lançadores de mísseis antinavio. A ação foi em resposta ao que os militares classificaram como “ofensiva iraniana” contra três petroleiros que navegavam pelo Estreito de Ormuz.

Em retaliação, as tropas iranianas lançaram mísseis e drones contra bases militares no Bahrein, que abriga a sede da 5ª Frota Marinha dos Estados Unidos, e no Kuwait, sede do quartel-general para as forças do Exército norte-americano na região. “Se sons de explosões forem ouvidos, eles são resultado de sistemas de defesa aérea interceptando os ataques hostis”, disse o Kuwait.

Os ataques representam uma das maiores trocas de hostilidades desde que Estados Unidos e Irã concordaram com um cessar-fogo, em junho, para avançar nas negociações de paz. Além do impacto militar, uma escalada no Estreito de Ormuz pode afetar diretamente o mercado global de energia, pressionando os preços do petróleo.

Em comunicado, o presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou Washington de violar o cessar-fogo. No texto, ele citou os ataques contra o sul do país, violações dos “ajustes iranianos no Estreito” e a retomada das sanções ao petróleo iraniana, que haviam sido suspensas temporariamente no mês passado.

“Continuação da agressão sionista no Irã. A era do bullying e da extorsão acabou. Não leva a lugar nenhum. Não vamos ceder”, escreveu Ghalibaf.

Entenda

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como "positivo" pelas delegações. Dias depois, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. As hostilidades ainda escalaram para o Estreito de Ormuz, pressionando a economia global.

No começo de abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo, visando incentivar a retomada das negociações diplomáticas. Tal entendimento, que contou com a mediação do Paquistão, foi assinado no dia 17 de junho, garantindo um cessar-fogo de 60 dias para negociações de paz e a reabertura do Estreito de Ormuz. Na área nuclear, o acordo afirma que o Irã concordou em não desenvolver armas atômicas.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Senadora acusada de racismo a Mbappé será investigada

Senadora acusada de racismo a Mbappé será investigada

Imagem da notícia: Cuba retoma energia, mas milhões seguem no escuro

Cuba retoma energia, mas milhões seguem no escuro

Imagem da notícia: Sobe para 3.685 o número de mortos na Venezuela

Sobe para 3.685 o número de mortos na Venezuela

Imagem da notícia: Senado convida chanceler por risco de ação militar dos EUA

Senado convida chanceler por risco de ação militar dos EUA

Imagem da notícia: Senadora acusada de racismo a Mbappé será investigada

Senadora acusada de racismo a Mbappé será investigada

Imagem da notícia: Cuba retoma energia, mas milhões seguem no escuro

Cuba retoma energia, mas milhões seguem no escuro

Imagem da notícia: Sobe para 3.685 o número de mortos na Venezuela

Sobe para 3.685 o número de mortos na Venezuela

Imagem da notícia: Senado convida chanceler por risco de ação militar dos EUA

Senado convida chanceler por risco de ação militar dos EUA

Últimas notícias

Mega-Sena 3.028: prêmio acumula para R$ 45 milhões

Prêmio é de R$ 38 milhões

Bebê e 3 adolescentes são resgatados de cárcere em GO

Pais foram presos e polícia investiga maus-tratos, desnutrição e desvio de benefício social

Justiça liberta brasileira acusada pelos EUA de elo com PCC

Stella Oliveira deve ganhar liberdade nas próximas horas; já Victor Shimada, que continua foragido da Justiça, teve a prisão temporária convertida em preventiva

Agente do ICE mata mexicano em operação nos EUA

ICE afirma que homem tentou atropelar um agente durante operação em Houston; família contesta versão e diz que vítima buscava trabalhadores para contratar

Senado aprova projeto que endurece penas por abusos digitais

Texto amplia penas para crimes sexuais contra menores, inclui uso de IA e deepfakes e classifica condutas como hediondas; proposta segue à sanção

Operação do MP mira ex-servidores da Prefeitura de SP

Gaeco encontra dinheiro em espécie, dólares e um cofre escondido durante investigação sobre suposta fraude de R$ 1 bilhão em licitação pública