EUA suspendem sanções ao petróleo iraniano por 60 dias
Licença geral permite a produção, entrega e venda de petróleo bruto e derivados até 21 de agosto; medida vem em meio a negociações de paz


Navio navega perto do Estreito de Ormuz | Foto: Reuters/Stringer
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos decidiu suspender temporariamente as sanções contra o Irã para que o país produza, venda e forneça petróleo bruto e derivados. A licença, publicada na segunda-feira (22), terá duração de 60 dias, isto é, até 21 de agosto.
Segundo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a medida veio em decorrência dos avanços nas negociações para encerrar a guerra no Oriente Médio. Durante encontro na Suíça, Teerã se comprometeu com a reabertura do Estreito de Ormuz – rota de 20% do petróleo mundial.
Além disso, a delegação iraniana permitiu a entrada de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) no país, medida crucial para que as nações consigam debater o programa nuclear iraniano (leia mais abaixo).
Com as sanções suspensas, todas as transações que antes estavam proibidas e que se referem à produção, venda e transporte de petróleo bruto de origem iraniana ficam autorizadas até 21 de agosto. A isenção ainda reabre as portas para as importações norte-americanas do produto e derivados.
Essa é a revogação mais abrangente das sanções petrolíferas dos Estados Unidos contra o Irã desde a Revolução Islâmica, em 1979. Conforme o Departamento do Tesouro, apenas Coreia do Norte e Cuba, sancionados por Washington, não estão autorizados a fazer as transações.
Mais cedo, o presidente Donald Trump também anunciou a suspensão do bloqueio ao Estreito de Ormuz, permitindo que a passagem de navios cargueiros e petroleiros ocorra sem interferências.
“Com base nas concessões importantes feitas pelo Irã, concordei em permitir que o Estreito de Ormuz permaneça aberto, sem novos bloqueios navais. No entanto, todos os navios permanecem a postos caso seja necessário restabelecer o bloqueio, o que, neste momento, parece altamente improvável”, disse.
Entenda
Restringir a capacidade nuclear do Irã é uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que ele era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vem pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como "positivo" pelas delegações. Em fevereiro, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel.
Em abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo, visando incentivar o avanço das negociações diplomáticas. Tal entendimento, que contou com a mediação do Paquistão, foi assinado no dia 17 de junho, garantindo um cessar-fogo de 60 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz. O programa nuclear iraniano, por sua vez, vem sendo debatido em negociações secundárias.















