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EUA e Irã anunciam avanços em 1ª rodada de negociações

Países chegaram a acordo inicial para resolver questões sensíveis, como a guerra no Líbano e a questão nuclear iraniana

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Camila Stucaluc
22/06/2026, 06:40 • Atualizado em 22/06/2026, 06:40
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Bandeiras dos Estados Unidos e do Irã | Pexels

Bandeiras dos Estados Unidos e do Irã | Pexels

Os Estados Unidos e o Irã concluíram nesta segunda-feira (22) a primeira sessão de negociações no âmbito do memorando de entendimento para encerrar a guerra no Oriente Médio, assinado na última semana. O encontro aconteceu em Burgenstock, na Suíça, e durou cerca de 18 horas.

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Em comunicado conjunto, Paquistão e Catar, mediadores no diálogo, informaram que Estados Unidos e Irã chegaram a um acordo inicial para resolver questões sensíveis listadas no memorando de entendimento, como a guerra no Líbano e a questão nuclear. Os países concordaram em:

  • criar um grupo de alto nível de supervisão política à mediação
  • criar um grupo para resolver a questão nuclear iraniana e sanções;
  • criar uma "célula de desescalada" no Líbano, para encerrar os combates entre Israel e o grupo Hezbollah, aliado do Irã
  • chegar a um acordo final de paz em até 60 dias.

Segundo os mediadores, o avanço nas negociações ocorreu em “um ambiente positivo e construtivo”, em conversas que continuarão ao longo da semana. “As partes mediadoras continuarão fazendo o possível para garantir que as negociações sejam conduzidas em um ambiente construtivo, com o objetivo de alcançar um acordo final”, disseram os países.

Entenda

Restringir a capacidade nuclear do Irã é uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que ele era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vem pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como "positivo" pelas delegações. Em fevereiro, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel.

Em abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo, visando incentivar o avanço das negociações diplomáticas. Tal entendimento, que contou com a mediação do Paquistão, foi assinado no dia 17 de junho, garantindo um cessar-fogo de 60 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz. Na área nuclear, o acordo afirma que o Irã concordou em não desenvolver armas atômicas.

Líbano

O memorando ainda prevê a cessação das hostilidades no Líbano, onde o grupo Hezbollah voltou a entrar em conflito com Israel, em apoio ao Irã. Apesar do cessar-fogo, as partes continuam trocando ataques, desafiando o acordo entre Estados Unidos e Irã.

No domingo (21), o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou retomar a guerra caso o Irã não impeça o Hezbollah de “causar problemas” no Líbano. Ao mesmo tempo, Teerã informou o fechamento do Estreito de Ormuz em retaliação às violações de Israel em Beirute.

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