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Trump volta a ameaçar Irã enquanto Vance fala em acordo

Presidente dos EUA acusou iranianos de guerra por procuração com o grupo armado libanês Hezbollah, aliado de Teerã, contra Israel

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Reuters
21/06/2026, 15:36 • Atualizado em 21/06/2026, 15:44
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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no G7. | REUTERS/Evelyn Hockstein

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no G7. | REUTERS/Evelyn Hockstein

O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou neste domingo (21) retomar a guerra com o Irã, mesmo enquanto o vice-presidente JD Vance se reunia com autoridades iranianas para as primeiras negociações no âmbito de um acordo de paz, ofuscadas pelo anúncio de Teerã de que havia fechado o Estreito de Ormuz.

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As negociações no resort de montanha suíço de Buergenstock, de propriedade do mediador Catar, foram as primeiras a serem realizadas nos termos de um memorando de entendimento acordado há uma semana.

O memorando prevê a reabertura do estreito e a cessação de todas as hostilidades, inclusive no Líbano, país que Israel — aliado dos EUA — invadiu em março. Mas o Irã, argumentando que Washington não cumpriu seu compromisso de interromper os combates no Líbano, afirmou ter fechado o estreito novamente e que as negociações de domingo não abordariam questões substantivas, como o programa nuclear iraniano.

"O Irã deve impedir imediatamente que seus PROXIES, que recebem salários altíssimos, causem problemas no Líbano. Se não o fizerem, vamos atacar o Irã com muita força novamente, assim como fizemos na semana passada, só que com mais força!!!", disse Trump, em uma aparente referência ao Hezbollah e à escalada que ele ordenou no início deste mês.

Postagem de Trump ameaçando Irã por causa do conflito contra Israel no Líbano | Reprodução/Truth Social
Postagem de Trump ameaçando Irã por causa do conflito contra Israel no Líbano | Reprodução/Truth Social

Nas negociações, nas quais autoridades americanas e iranianas se reuniram na presença de mediadores do Catar, Vance minimizou o impacto da violência no Líbano, afirmando que houve avanços nos últimos dias no sentido de pôr fim às hostilidades no país.

"Essas coisas são sempre um pouco confusas", disse ele.

Apesar do anúncio de um novo cessar-fogo no Líbano na sexta-feira, há poucos sinais de que os combates tenham chegado ao fim. O Irã informou no sábado que, como resultado, havia fechado novamente o estreito, cujo fechamento por quase quatro meses causou a maior interrupção no abastecimento global de energia da história.

Autoridades americanas contestaram se o estreito havia sido fechado novamente, mas dados de navegação disponíveis comercialmente mostraram um impacto imediato. Apenas um único pequeno petroleiro cruzou o estreito com seus transponders de localização ativados após o anúncio do Irã, em comparação com dezenas de navios nos últimos dias, quando o tráfego havia começado a retornar aos níveis pré-guerra.

A agência de notícias iraniana Fars citou uma fonte militar afirmando, no domingo, que nenhuma nova autorização estava sendo emitida para a travessia de navios até segunda ordem. Ao longo da guerra, muitas empresas de navegação afirmaram que era muito perigoso navegar pelo estreito sem a permissão do Irã.

O Irã também afirmou que não haveria início da próxima fase das negociações, inclusive sobre seu programa nuclear, até que os combates no Líbano terminassem e o país recebesse os benefícios econômicos prometidos.

No início do domingo, Vance apareceu brevemente diante da imprensa que acompanhava a delegação quando ele, o enviado Steve Witkoff e o genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, se reuniram com o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif e o chefe do Exército do Paquistão, marechal de campo Asim Munir.

Houve uma troca de saudações calorosas, e Vance disse "E aí, cara?”, enquanto apertava a mão de Munir e o abraçava. "Meu irmão”, disse Munir ao estender a mão para Witkoff e abraçá-lo.

Fechamento do estreito pode reverter a queda do petróleo

Como já aconteceu várias vezes com grandes acontecimentos que afetam a economia global durante a guerra, o anúncio do Irã de que o estreito estava novamente fechado ocorreu no fim de semana, com os mercados fechados, adiando qualquer impacto sobre os preços do petróleo até segunda-feira (22).

Trump disse que concordou com o memorando de entendimento da semana passada para evitar uma depressão econômica global causada pelos altos preços do petróleo decorrentes do fechamento do estreito. Os preços do petróleo haviam despencado na semana passada para níveis nunca vistos desde o início da guerra.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, disse que as negociações de domingo durariam apenas um dia. Como Washington não conseguiu garantir um cessar-fogo no Líbano, as negociações abordariam apenas a implementação do próprio memorando e não as questões substantivas previstas para a próxima fase das negociações, afirmou Baghaei.

Vance espera por avanços

O memorando prevê 60 dias de negociações sobre questões como a restrição do programa nuclear do Irã em troca do levantamento das sanções internacionais. Antes que essas questões sejam resolvidas, o Irã espera receber benefícios econômicos iniciais, como isenções de sanções e o destravamento de ativos bloqueados.

O presidente Masoud Pezeshkian, citado pela Fars, expressou otimismo de que as negociações com os EUA poderiam fornecer uma base sólida para o crescimento econômico. Ele disse que a primeira conquista das negociações foi restaurar o acesso a alguns dos recursos financeiros do Irã.

Vance havia dito aos repórteres antes de sua partida que esperava avançar na questão nuclear, bem como em um cessar-fogo no Líbano.

Mais de um milhão de pessoas foram expulsas de suas casas no Líbano desde março devido à invasão de Israel.

No entanto, em um sinal possivelmente positivo no domingo, jornalistas da Reuters no sul do Líbano observaram um dos maiores fluxos de tráfego desde a assinatura do memorando, com moradores retornando às casas de onde haviam fugido no sul. Alguns estavam ao lado de carros parados em fila na rodovia e agitavam bandeiras do Hezbollah.

Jornalistas da Reuters no sul do Líbano também viram equipes de resgate no sábado transportando feridos nos locais dos ataques israelenses, que reduziram vastas áreas de cidades e vilarejos libaneses a ruínas de escombros de concreto que, segundo os moradores, assemelham-se à Faixa de Gaza.

As autoridades libanesas afirmam que 20 pessoas foram mortas no sábado, mas não houve relatos imediatos de violência significativa na manhã de domingo.

(Por Humeyra Pamuk, Dave Graham e Tala Ramadan)

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