AIEA diz estar pronta para debater programa nuclear do Irã
Negociações continuam após memorando assinado por Teerã e Estados Unidos para encerrar a guerra no Oriente Médio


Diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi | Divulgação
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, disse nesta quinta-feira (18) que está pronto para debater o programa nuclear iraniano. O item está previsto no memorando assinado por Teerã e Estados Unidos para encerrar a guerra no Oriente Médio.
“É bom que o memorando esteja lá. Agora cabe a nós sentar-nos com nossos colegas americanos e iranianos e começar a formular medidas concretas que terão que ser tomadas. Eu inicio qualquer negociação partindo do pressuposto de que todos estamos de boa-fé, que queremos ter sucesso”, disse Grossi.
Restringir a capacidade nuclear do Irã é uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que ele era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vem pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como "positivo" pelas delegações. Dias depois, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel.
Em abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo, visando incentivar o avanço das negociações diplomáticas. Tal entendimento, que contou com a mediação do Paquistão, foi assinado na quarta-feira (17). Entre os pontos centrais estão um cessar-fogo de 60 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz.
Na área nuclear, o memorando afirma que o Irã concordou em não desenvolver armas atômicas. O programa nuclear, contudo, ainda será debatido numa segunda fase de negociações, na qual Estados Unidos e Irã discutirão uma solução para os estoques de urânio enriquecido, por exemplo.
"Se eles assinaram este acordo é porque todo mundo quer que isso seja um sucesso. Estamos nos portões da fase decisiva das conversas técnicas. Agora o trabalho técnico começa", disse Grossi.















