Israel ignora alerta iraniano e bombardeia sul do Líbano
Ação provocou reação do Hezbollah, que lançou foguetes contra soldados israelenses no país


Israel ataca sul do Líbano | Reuters
As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) lançaram novos ataques contra o sul do Líbano, mirando alvos do Hezbollah, nesta terça-feira (9). Os bombardeios ocorreram poucas horas após os militares emitirem novas ordens de evacuação aos moradores da região.
Desta vez, a ofensiva ocorreu em Tiro, uma das maiores cidades do Líbano. Ataques aéreos também foram reportados nas cidades de Srifa e Haris, no sul do país. Segundo a mídia libanesa, pelo menos três pessoas morreram em decorrência dos bombardeios.
Em resposta, o Hezbollah afirmou que lançou foguetes contra as tropas israelenses. Os disparos também miraram a cidade de Bayyada, onde soldados de Tel Aviv tentavam avançar por terra. “Os sucessivos disparos de foguetes forçou a retirada em direção a Al-Bayada”, disse o grupo.
O bombardeio israelense desafia o Irã. Na segunda-feira (8), Teerã suspendeu os ataques contra Tel Aviv, mas avisou que voltaria a lançar mísseis contra o país caso as tropas continuassem com as hostilidades contra o Hezbollah, no sul do Líbano.
Israel, no entanto, acusa o Hezbollah de violar o cessar-fogo, justificando que o ato “obriga as forças de defesa a agir”. Em relação ao Irã, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prometeu “responder com força” caso Teerã volte a atacar o país em defesa do Hezbollah. “Israel tem o direito à autodefesa e o exercerá sempre que necessário”, frisou o premiê.
O cenário vem aumentando a tensão entre Israel e Estados Unidos, que temem que o conflito prejudique as negociações de paz em andamento.
Na última quarta-feira (3), o presidente Donald Trump chegou a ter uma conversa ríspida por telefone com Netanyahu, exigindo o fim dos bombardeios contra o Líbano. À mídia norte-americana, o republicano afirmou que chamou o premiê israelense de "louco”, dizendo estar incomodado com as “constantes brigas” de Netanyahu com o Líbano.
Trump teme que a resistência israelense dificulte as negociações de paz. Isso porque o Irã afirma que qualquer acordo de paz com os Estados Unidos depende de uma trégua no Líbano. “Com certeza isso não vai ajudar nas negociações. O que eu sugiro é: voltem à mesa de negociações e façam um acordo", disse.
Entenda
Israel e Hezbollah voltaram a trocar hostilidades no início de março, encerrando o cessar-fogo firmado em novembro de 2024. Os ataques começaram após o grupo, apoiado pelo Irã, lançar drones contra Tel Aviv em retaliação à operação coordenada entre Israel e Estados Unidos em Teerã, iniciada em 28 de fevereiro.
A ofensiva israelenses mirou todo o Líbano, incluindo a capital, Beirute. Além dos ataques aéreos, os militares avançaram por terra, visando expandir a zona de segurança no sul do país. A ofensiva já deixa 3,6 mil mortos e 11,1 mil feridos, segundo dados do Ministério da Saúde local.
Em maio, Israel e Líbano concordaram em prorrogar o cessar-fogo, inicialmente de 10 dias. O período de trégua foi estabelecido para incentivar as delegações a negociarem um acordo definitivo de paz, com foco no desarmamento do Hezbollah — entendimento essencial para as negociações entre Estados Unidos e Irã.















