EUA atacam instalações no sul do Irã em meio a cessar-fogo
Militares descreveram bombardeios como defensivos, dizendo que miraram mísseis e barcos com minas


Marinha dos Estados Unidos em atuação na costa do Irã | Divulgação/Comando Central dos EUA
Os Estados Unidos lançaram novos ataques contra o sul do Irã na segunda-feira (25). Em comunicado, o Comando Central descreveu os bombardeios como defensivos, dizendo que os alvos foram instalações de mísseis no sul do país e barcos que tentavam instalar minas na costa.
"O Comando Central dos Estados Unidos continua a defender nossas forças enquanto usa de moderação durante o cessar-fogo em andamento", disse o porta-voz da entidade, capitão Tim Hawkins.
Mais cedo, agências de notícias do Irã haviam reportado explosões em áreas costeiras próximas ao Estreito de Ormuz, no sul do país. De acordo com Tasnim, ao menos três explosões foram ouvidas em Bandar Abbas. Já a agência Fars informou que sons semelhantes também foram registrados nas cidades de Sirik e Jask.
Os ataques ocorreram em meio ao cessar-fogo acordado pelos países, que tentam negociar um tratado de paz. Apesar dos bombardeios, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que um acordo ainda é possível, informando que a delegação iraniana terá uma nova reunião com o primeiro-ministro do Catar, principal mediador no conflito, nesta terça-feira (26).
"Vamos ver se conseguimos avançar. Acho que é muita conversa sobre linguagem específica no documento inicial, então vai levar alguns dias", disse Rubio. “Ele ou vai fazer um bom acordo ou não vai fazer acordo”, acrescentou, referindo-se ao presidente Donald Trump.
Acredita-se que o impasse nas negociações envolva a questão nuclear. Nesta semana, uma fonte do governo iraniano afirmou à Reuters que Teerã não aceitou entregar o estoque de urânio altamente enriquecido aos Estados Unidos, dizendo que a questão nuclear não faria parte do acordo preliminar de paz.
Isso porque o acordo em discussão envolve apenas a ampliação do cessar-fogo entre os países, a reabertura do Estreito de Ormuz e um plano para novas negociações envolvendo o programa nuclear iraniano.
Entenda
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como "positivo" pelas delegações. Dias depois, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. As hostilidades ainda escalaram para o Estreito de Ormuz, pressionando a economia global.
No começo de abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo. A proposta, mediada pelo Paquistão, foi formalizada a menos de 1h30 do fim do ultimato dado pelo presidente norte-americano para a reabertura do Estreito de Ormuz. O republicano havia afirmado que, caso a rota não fosse reaberta, “uma civilização inteira morreria para nunca mais ser ressuscitada”.















