Israel e Irã suspendem ataques após quebra de cessar-fogo
Pausa em bombardeios não incluiria o Líbano, disse o Canal 12, rede de televisão israelense



Prédio residencial danificado por ataque em 4 de março em Teerã | Thaier Al Sudani/Reuters
Israel e Irã anunciaram na manhã desta segunda-feira (8) a suspensão de ataques após a quebra do cessar-fogo no final de semana. A agência estatal iraniana Irna publicou nas redes que, após as retaliações contra o regime israelense, as operações militares foram suspensas.
"No entanto, qualquer continuação de hostilidades e atos ilícitos — particularmente no sul do Líbano — será respondida com ações muito mais duras e devastadoras do que as tomadas anteriormente", complementou.
Já Israel teria parado as ações contra o Irã após novo pedido dos Estados Unidos, afirmou o Canal 12, da tevê israelense. No entanto, a suspensão dos ataques não incluiria o Líbano.
Citando como fontes autoridades do alto escalão do governo de Benjamin Netanyahu, o Canal 12 disse que ofensivas no sul do Líbano "continuarão com força total nos próximos dias" e que haverá bombardeios também à capital Beirute "caso o grupo terrorista Hezbollah siga atacando o norte de Israel".

No domingo (7) e na madrugada desta segunda, Irã e Israel voltaram a trocar bombardeios, interrompendo o cessar-fogo que estava em vigor desde abril.
Novo confronto
As Forças de Defesa de Israel (IDF) lançaram novos ataques contra o Irã na madrugada desta segunda-feira, em retaliação aos mísseis lançados por Teerã contra Tel Aviv, em resposta aos bombardeios israelenses no Líbano, contra o Hezbollah.
Mais cedo, Donald Trump havia pedido a Netanyahu que não retaliasse os ataques iranianos para não prejudicar as negociações de paz em andamento. Israel ignorou o pedido e atacou o Líbano.
Agora, tanto Israel quanto Irã anunciaram a suspensão dos ataques entre os dois países.
Entenda
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que a medida era benéfica demais para o Irã. Com isso, o país elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden tentou retomar as negociações, oferecendo alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como "positivo" pelas delegações. Dias depois, no entanto, Trump autorizou novos bombardeios contra o Irã, desta vez em parceria com Israel.
O conflito se expandiu com ataques entre Israel e o Hezbollah (Líbano), aliado do Irã. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. As hostilidades ainda escalaram para o Estreito de Ormuz, pressionando a economia global.
No começo de abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo, visando incentivar a retomada das negociações diplomáticas. O mesmo ocorreu entre Israel e Líbano, mas as hostilidades continuaram, dificultando o diálogo entre os países.















