Aprovação de Trump atinge 35%, próximo da mínima histórica
Pesquisa Reuters/Ipsos aponta aumento do custo de vida, influenciado pela guerra no Irã, como principal preocupação dos norte-americanos


Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Reuters
A taxa de aprovação do presidente Donald Trump segue próxima à mínima histórica. É o que aponta a pesquisa Reuters/Ipsos, divulgada na segunda-feira (8), na qual 35% dos moradores afirmaram aprovar o desempenho do republicano no segundo mandato — 1% a mais do que o registrado no levantamento de abril.
Trump tem apresentado uma tendência de queda na popularidade desde quando voltou à Casa Branca, em 2025, ano em que recebia aprovação de 47%. Desde então, o percentual foi caindo para abaixo dos 40%, sobretudo devido à economia. Agora, o republicano enfrenta o pior nível de aprovação, influenciado pela guerra contra o Irã.
Isso porque o conflito com Teerã, lançado para conter o programa nuclear do país (leia mais abaixo), se expandiu para o Estreito de Ormuz, rota de cerca de 20% do petróleo mundial. A crise na região vem afetando o preço do petróleo, pressionando globalmente a inflação.
Segundo o levantamento, 36% dos entrevistados afirmaram aprovar o conflito. Em relação aos preços, 59% disseram acreditar que o valor dos combustíveis vai aumentar devido ao conflito, ante 17% esperam queda nos preços. No geral, apenas 22% dos norte-americanos disseram aprovar a forma como Trump lida com o aumento do custo de vida.
A insatisfação é superior ao registrado no governo de Joe Biden, que encerrou o mandato com 29% de aprovação e 63% de desaprovação devido ao custo de vida no país. O democrata enfrentou anos de alta inflação, o que prejudicou sua popularidade nas pesquisas.
O cenário preocupa aliados republicanos, que temem que Trump perca o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato, em novembro. Dos entrevistados que se registraram para votar nas midterms, 41% disseram que escolheriam candidatos democratas se o pleito fosse realizado hoje, enquanto 37% apoiariam republicanos.
A pesquisa Reuters/Ipsos, realizada em âmbito nacional e online, coletou respostas de 4.531 adultos nos Estados Unidos. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.
Guerra no Irã
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como "positivo" pelas delegações. Dias depois, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. As hostilidades ainda escalaram para o Estreito de Ormuz, pressionando a economia global.
No começo de abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo, visando incentivar a retomada das negociações diplomáticas. O mesmo ocorreu entre Israel e Líbano, mas as hostilidades continuam, dificultando o diálogo entre os países.















