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Trump volta a pedir fim das hostilidades entre Israel e Irã

Presidente norte-americano teme que ataques comprometam negociações em andamento

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Camila Stucaluc
08/06/2026, 10:38 • Atualizado em 08/06/2026, 10:38
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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Divulgação/White House

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Divulgação/White House

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a pedir nesta segunda-feira (8) o fim das hostilidades entre Israel e Irã. Em publicação nas redes sociais, o republicado afirmou que os países “precisam parar imediatamente de atirar”, após novas trocas de ataque.

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Israel e Irã voltaram a trocar hostilidades neste fim de semana. No domingo (7), Teerã lançou mísseis contra Tel Aviv em retaliação aos ataques israelenses contra o grupo Hezbollah, no Líbano, em meio ao cessar-fogo. Israel, então, respondeu com novos bombardeios contra o oeste, sudoeste e centro do Irã.

Nesta manhã, as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) divulgaram um mapa com os pontos de ataque. Segundo os militares, os bombardeios miraram sistemas estratégicos de defesa do regime iraniano, incluindo o complexo petroquímico de Mahshahr, utilizado no programa de mísseis do país.

“As instalações atacadas produziram materiais únicos que servem como componentes essenciais para o desenvolvimento de mísseis balísticos, que representam uma ameaça direta ao Estado de Israel e seus cidadãos. Esses são componentes críticos na infraestrutura de produção existente no complexo para o programa de mísseis do regime terrorista iraniano”, disseram as IDF.

Israel divulga mapa de Irã com alvos de ataques | Divulgação/IDF
Israel divulga mapa de Irã com alvos de ataques | Divulgação/IDF

No domingo (7), Trump havia pedido ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que não retaliasse os ataques iranianos para não prejudicar as negociações de paz em andamento, já que os países estavam “muito perto” de um acordo final. O pedido, contudo, foi ignorado, aumentando a tensão entre os países.

O cenário pode dificultar as negociações. Isso porque, além da quebra do cessar-fogo com Israel, o Irã afirma que qualquer acordo de paz com os Estados Unidos depende de uma trégua no Líbano, onde Israel mantém operações militares contra o Hezbollah.

Na última quarta-feira (3), Trump teve uma conversa ríspida por telefone com Netanyahu, exigindo o fim dos bombardeios contra o Líbano. À mídia norte-americana, o republicano afirmou que chamou o premiê israelense de "louco”, dizendo estar incomodado com as “constantes brigas” de Netanyahu com o Líbano.

Entenda

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como "positivo" pelas delegações. Dias depois, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. As hostilidades ainda escalaram para o Estreito de Ormuz, pressionando a economia global.

No começo de abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo, visando incentivar a retomada das negociações diplomáticas. O mesmo ocorreu entre Israel e Líbano, mas as hostilidades continuam, dificultando o diálogo entre os países.

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