Economia

Petróleo dispara mais de 4% após ataques entre Irã e Israel

Retomada de ataques entre as duas nações aumenta preocupação com novas restrições em Ormuz

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Exame.com
08/06/2026, 10:33 • Atualizado em 08/06/2026, 10:34
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Navios-tanque e outras embarcações no Estreito de Ormuz, na costa de Musandam, Omã, em 18 de abril de 2026 | Reuters/Stringer/Foto de arquivo

Navios-tanque e outras embarcações no Estreito de Ormuz, na costa de Musandam, Omã, em 18 de abril de 2026 | Reuters/Stringer/Foto de arquivo

O preço do petróleo subiu mais de 4% nesta segunda-feira (8) após Israel e Irã trocarem ataques militares pela primeira vez desde o início do cessar-fogo acordado em abril, elevando o temor de uma nova escalada no Oriente Médio e de novos riscos ao fluxo de exportação pelo Estreito de Ormuz.

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O Brent, referência internacional, avançou 4,9% e chegou a US$ 97,65 o barril, atingindo a máxima de US$ 97,83 durante o pregão. O WTI americano subiu 4,5%, para US$ 94,64 o barril, com pico próximo de US$ 95.

Ataques e reações

A Força Aérea israelense afirmou ter atingido alvos militares no oeste e no centro do Irã. Teerã respondeu com novos ataques às bases aéreas israelenses de Nevatim e Tel Nof, segundo a agência semioficial Fars, citando a Guarda Revolucionária Islâmica. Os houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, também anunciaram o bloqueio de navios israelenses no Mar Vermelho.

O presidente americano Donald Trump foi informado dos ataques e afirmou que a ofensiva iraniana "certamente não vai ajudar as negociações". Um oficial iraniano envolvido nas conversas com Washington disse que "um acordo com o presidente Trump não é mais viável neste estágio".

Trump havia pedido ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu que não retaliasse, mas Israel ignorou o apelo. O líder americano disse que cabe a ele, não a Netanyahu, ditar os termos de qualquer acordo com o Irã. "Eu dou as ordens. Eu dou todas as ordens", afirmou o presidente ao Financial Times.

Mercado teme Ormuz

Analistas alertam para os riscos ao Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial. A via já opera perto do fechamento desde o agravamento das tensões na região, há dois meses.

"A escalada entre Israel e Irã mostra mais uma vez como o cessar-fogo é frágil", disse Andy Lipow, presidente da Lipow Oil Associates, citado pela Bloomberg. "O aumento das hostilidades eleva o risco geopolítico de um fechamento prolongado do estreito e a chance de o Irã adotar medidas adicionais para restringir a navegação no Mar Vermelho."

Para o mercado, mesmo que um acordo de paz entre Washington e Teerã seja fechado, a retomada normal do fluxo de petróleo enfrentaria obstáculos: remoção de minas em Ormuz, reativação de campos que podem levar meses para voltar à produção e reparos em infraestrutura energética danificada por drones e mísseis.

"O mercado continua oscilando entre precificar um acordo e precificar a realidade de que nenhum dos lados mudou de posição", disse Haris Khurshid, diretor de investimentos da Karobaar Capital, à Bloomberg. "Cada vez que o otimismo vai longe demais, o petróleo recua."

OPEP+ eleva cotas

Em paralelo ao agravamento do conflito, a OPEP+ aprovou mais um aumento nas cotas de produção para julho, de 188 mil barris por dia. É o quarto reajuste consecutivo desde o fechamento do Estreito de Ormuz, embora grande parte dos membros do bloco ainda enfrente dificuldades para escoar o petróleo pelo Golfo Pérsico.

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