Brasil

Operação mira quadrilha que aplicava golpe do falso advogado

Segundo as investigações, os criminosos usavam informações reais de processos judiciais para se passar por advogados ou integrantes de escritórios de advocacia

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Pedro Canguçu
08/07/2026, 11:20 • Atualizado em 08/07/2026, 11:36
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Polícia Civil do DF | Divulgação/Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

Polícia Civil do DF | Divulgação/Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na madrugada desta quarta-feira (8), a Operação Revelia para desarticular uma associação criminosa especializada no chamado golpe do falso advogado. O grupo, que atuava a partir do estado de São Paulo, é suspeito de causar prejuízo elevado às vítimas do Distrito Federal.

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Durante a operação, policiais da 9ª Delegacia de Polícia cumpriram sete mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão preventiva e ordens de bloqueio de bens e valores. As ações ocorreram na capital paulista, em São Caetano do Sul e em Santos, com apoio da Polícia Civil de São Paulo.

Segundo as investigações, os criminosos utilizavam informações reais de processos judiciais para se passar por advogados ou integrantes de escritórios de advocacia. Em seguida, entravam em contato com as vítimas pelo WhatsApp, muitas vezes utilizando a foto do verdadeiro advogado para dar credibilidade à abordagem.

Durante a conversa, informavam que a vítima teria uma quantia elevada a receber em uma ação judicial, mas alegavam que seria necessário pagar taxas, custas processuais ou despesas cartorárias para liberar o dinheiro. Assim que a transferência via Pix era realizada, os criminosos encerravam o contato e desapareciam com o dinheiro.

A investigação revelou que o grupo mantinha uma estrutura organizada para aplicar os golpes e dificultar o rastreamento dos recursos. Em um dos endereços alvo da operação, os policiais encontraram 585 cópias de peças processuais e processos judiciais completos extraídos do sistema eletrônico da Justiça. O material era utilizado para tornar as abordagens mais convincentes e aumentar as chances de sucesso das fraudes. Além disso, os investigadores identificaram conversas sobre a compra e venda de chips telefônicos e de contas bancárias de terceiros, conhecidas como "contas laranja", utilizadas para receber e movimentar o dinheiro obtido com os golpes.

Áudios revelam sensação de impunidade

As interceptações telefônicas também mostram que os integrantes da quadrilha falavam com naturalidade sobre a prática dos crimes. Em um dos áudios analisados pela Polícia Civil, um dos investigados explica como utilizava diferentes contas bancárias para movimentar o dinheiro obtido nas fraudes e afirma que o risco de ser investigado era pequeno.

"Pode sim acontecer de dar uma investigação... mas é bem raro", afirma o suspeito em uma das conversas. Em outro diálogo, ele detalha que o dinheiro passava por diversas contas antes de chegar ao destino final, estratégia utilizada para dificultar o rastreamento dos valores.

As gravações também chamaram a atenção por outro motivo. Em uma delas, o investigado orienta uma mulher a nunca fazer transferências para pessoas que dizem ser advogados ou representantes de bancos, justamente o mesmo golpe que, segundo a Polícia Civil, era aplicado pela organização criminosa. Para os investigadores, os diálogos reforçam o alto grau de organização da quadrilha e a sensação de impunidade demonstrada pelos envolvidos.

Segundo a PCDF, um dos investigados chegou a afirmar, durante conversas interceptadas, que uma investigação contra ele "nunca daria em nada". O trabalho investigativo, no entanto, reuniu provas suficientes para que a Justiça decretasse sua prisão preventiva. Os investigados poderão responder pelos crimes de estelionato eletrônico, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

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