Mundo

Irã diz que navios atravessam Estreito de Ormuz mesmo com bloqueio dos EUA

Mídia estatal também apontou para a passagem de embarcações sujeitas a sanções norte-americanas; EUA rejeitam alegações

Avatar de Camila Stucaluc
Camila Stucaluc
15/04/2026, 11:20 • Atualizado em 15/04/2026, 12:16
compartilhar
Navio navega perto do Estreito de Ormuz | Foto: Reuters/Stringer

Navio navega perto do Estreito de Ormuz | Foto: Reuters/Stringer

Pelo menos dois navios iranianos furaram o bloqueio marítimo imposto pelos Estados Unidos e cruzaram o Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas. A afirmação foi feita nesta quarta-feira (15) pela agência estatal iraniana Fars, que fez o balanço com base na plataforma de análise Kpler.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Rota marítima de cerca de 20% do petróleo mundial, o Estreito de Ormuz está na disputa entre Estados Unidos e Irã desde 28 de fevereiro, quando Washington lançou uma operação coordenada com Israel contra Teerã. A rota chegou a ser fechada parcialmente pelo regime iraniano, mas foi reaberta após os países acordarem um cessar-fogo de 14 dias.

Na segunda-feira (13), no entanto, o presidente norte-americano Donald Trump impôs um novo bloqueio no Estreito após as negociações de paz entre os países acabarem sem um acordo definitivo. A medida, que também engloba a costa e os portos iranianos, é um meio de pressionar Teerã a acordar com os termos de Washington no acordo, incluindo sobre o programa nuclear.

Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom, na sigla em inglês), o bloqueio é aplicado contra embarcações estrangeiras que entrarem ou saírem de portos e áreas costeiras do Irã, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã. Os navios que não estiverem viajando para as regiões, por sua vez, podem passar livremente pelo Estreito.

Apesar do bloqueio, a mídia iraniana afirma que petroleiros iranianos ou navios com destino ao Irã estão conseguindo passar pelo Estreito. De acordo com a Fars, isso inclui um petroleiro de grande porte, capaz de carregar 2 milhões de barris de petróleo, e um navio graneleiro, carregado com produtos alimentícios.

A estatal ainda apontou para a passagem de embarcações sujeitas a sanções dos Estados Unidos por negociarem com o Irã. É o caso do petroleiro Handy Murlikishan, que está a caminho do Iraque para carregar óleo combustível, e o navio-tanque Rich Starry.

As alegações são negadas pelo Centcom, que afirma que nenhum navio conseguiu furar o bloqueio desde a sua implementação. “Em menos de 36 horas desde a implementação do bloqueio, as forças dos EUA interromperam completamente todo o comércio econômico que entra e sai do Irã por via marítima", disse o almirante Brad Cooper, em um comunicado nas redes sociais.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos ainda escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, pressionando a economia.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Mega-Sena pode pagar R$ 10 milhões neste sábado

Mega-Sena pode pagar R$ 10 milhões neste sábado

Imagem da notícia: Paraguai manda retirar telões de Bolsonaro agredindo jogador

Paraguai manda retirar telões de Bolsonaro agredindo jogador

Imagem da notícia: JK foi assassinado pela ditadura em 1976, conclui comissão

JK foi assassinado pela ditadura em 1976, conclui comissão

Imagem da notícia: Homens presos há dias em caverna no Laos são resgatados

Homens presos há dias em caverna no Laos são resgatados

Imagem da notícia: Mega-Sena pode pagar R$ 10 milhões neste sábado

Mega-Sena pode pagar R$ 10 milhões neste sábado

Imagem da notícia: Paraguai manda retirar telões de Bolsonaro agredindo jogador

Paraguai manda retirar telões de Bolsonaro agredindo jogador

Imagem da notícia: JK foi assassinado pela ditadura em 1976, conclui comissão

JK foi assassinado pela ditadura em 1976, conclui comissão

Imagem da notícia: Homens presos há dias em caverna no Laos são resgatados

Homens presos há dias em caverna no Laos são resgatados

Últimas notícias

EUA recuam sobre regra para obtenção de green card

Departamento havia informado que imigrantes teriam de retornar ao país de origem para aguardar a emissão do documento; medida não será aplicada de forma ampla

Acidente em rodovia dos EUA deixa 5 mortos e 44 feridos

Ônibus de turismo bateu em veículos parados em área de obras na Virgínia; entre as vítimas estão duas crianças

Morre Edgar Morin, importante filósofo francês, aos 104 anos

Pensador francês, criador da teoria do pensamento complexo, era considerado um dos intelectuais mais importantes do século XX

PCC e CV atuam em 12 estados americanos, diz porta-voz

Amanda Roberson, do Departamento de Estado, não especificou em quais regiões dos EUA as facções estão, mas disse que autoridades monitoram atuação

Escutas são encontradas em gabinete do governador do Rio

Dispositivos foram localizados durante varredura de segurança no Palácio Guanabara; governo afirma que material não estava em funcionamento

Agente do ICE é preso por atirar em venezuelano

Caso ocorreu em 14 de janeiro, no auge da agressiva onda de deportações promovida pelo presidente Donald Trump em Minnesota