Diretor do BC calculou aporte de mais de R$ 5 bi no BRB e disse que 'morte' do Will ampliará rombo no banco do DF
Depoimento de Ailton Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central, ocorreu antes da liquidação do banco digital de Vorcaro

A divulgação do vídeo do depoimento à Polícia Federal de Ailton Aquino mostra que o diretor de Fiscalização do Banco Central calculava no final de 2025 um rombo de mais de R$ 5 bilhões ao BRB e que esse desfalque poderia ser maior caso não houvesse uma solução para o Will, o banco digital de Daniel Vorcaro.
No depoimento à PF, Aquino disse que o BRB tinha em sua contabilidade muitos ativos do Will e que uma "morte" na tentativa do BC de manter esse ativo de pé representaria um aumento no rombo do banco vinculado ao governo do Distrito Federal.
Na época do depoimento de Aquino, em 30 de dezembro, o Banco Central não havia liquidado ainda o Will, o que só ocorreu em 21 de janeiro.
"Existem muitos ativos do Will dentro do balanço do BRB. A morte, se não for possível dentro do Raet [Regime de Administração Especial Temporária, situação em que estava o Will antes da liquidação], o prejuízo do BRB será maior", disse Aquino.
Ressaltando falar com base em experiência própria, Aquino afirmou que isso ocorreria por uma probabilidade de calote massivo dos clientes do Will no pagamento das faturas de cartão de crédito.
"Quando o indivíduo... e é tudo cartão de crédito, 7 a 11 milhões de pessoas, quando 'Dona Maria' não conseguir comprar mais com cartão de crédito, a probabilidade muito grande é que ela vai deixar... e aí é um juízo de valor... a probabilidade é que Dona Maria não vai pagar o boleto do cartão, vai ter outro cartão."
No depoimento, Aquino também afirmou que a governança do BRB falhou ao não identificar títulos podres do Master no processo de compra do banco e que o BC informou nos autos do processo sobre a probabilidade de aporte para cobrir esse desfalque da ordem de R$ 5 bilhões.
"Como auditor de carreira, aplicando técnicas, eu tenho certeza que a governança do BRB deveria ter identificado [a fraude]. Não tenho dúvidas disso. Aplicando-se técnicas é possível a identificação da existência ou não dos créditos. A falha da governança do BRB (...) E é tanto que o time da supervisão inquiriu muito o BRB, em vários ofícios, que a gente chama de requisições de auditoria, acerca da geração dos créditos", afirmou Aquino.
Ele disse também que o BC já havia identificado em meados de 2025 que o Master tinha problemas de liquidez, por não estar fazendo os depósitos compulsórios -- valores que os bancos são obrigados a manter no Banco Central para garantir liquidez e reduzir riscos sistêmicos.
E disse que, na época da liquidação, o Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa.
No depoimento, porém, não há pergunta ao diretor sobre por que o Banco Central não decidiu agir antes de novembro de 2025, quando houve a liquidação do Master.
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), afirmou ao SBT News que "não entende nada de operações bancárias" e que só pretende atuar para "fazer parte da solução" no caso envolvendo o Banco Master. Ele nega que tenha tratado com Vorcaro da aquisição do Master pelo BRB.
Em nota, o BRB disse que “qualquer estimativa de necessidade de capital considerará integralmente todos os efeitos identificados na avaliação dos fundos e ativos repassados pelo Banco Master” e que essa avaliação integra a apuração do Banco Central e a investigação conduzida pelo escritório Machado Meyer com apoio técnico da Kroll.
“Após o encerramento das apurações será estabelecido o valor do aporte necessário para cobrir eventuais perdas”, diz o banco, acrescentando ainda que para suprir o possível déficit “já está desenhado um plano de capitalização que será encaminhado ao órgão regulador após a conclusão das análises”.
O Banco diz ainda que está em curso a venda de ativos originários do Master.




































