Ranier Bragon
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Ranier Bragon trabalhou na Folha de S.Paulo por 26 anos, onde foi um dos autores de reportagens que revelaram a evolução patrimonial da família Bolsonaro, o caso Wal do Açaí, as candidaturas laranjas e a fraude das transferências de títulos de eleitores.

Política

Presidente da CPMI do INSS diz que poderia aprovar requerimentos mesmo sem nenhum parlamentar no plenário

Carlos Viana (Podemos-MG) é questionado por aprovar quebra de sigilo de Lulinha com base em contagem incorreta de votos

Imagem da noticia Presidente da CPMI do INSS diz que poderia aprovar requerimentos mesmo sem nenhum parlamentar no plenário
Presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG) | Divulgação/Carlos Moura/Agência Senado
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O presidente da CPMI do INSS, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), defendeu em entrevista ao SBT News a postura que adotou ao aprovar a quebra dos sigilos de Lulinha, o filho mais velho do presidente Lula (PT), e afirmou inclusive que poderia aprovar requerimentos mesmo sem a presença de nenhum parlamentar em plenário.

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Imagens da sessão da CPMI do INSS mostram que os governistas venceram por 14 a 10 a votação para evitar a quebra de sigilo de Lulinha, mas Viana disse ter visto só 7 parlamentares governistas se manifestando e declarou a quebra do sigilo mesmo sem informar quantos seriam, em sua contagem, a favor.

Os governistas pediram a anulação da votação ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Questionado na entrevista se aprovaria requerimentos mesmo se todos os parlamentares da CPMI decidissem deixar o plenário, Viana afirmou considerar ser possível, em sua visão, decisões serem tomadas mesmo com um plenário sem nenhum parlamentar.

"Eu posso fazer isso, é do regimento. O presidente tem essa atribuição. O que manda ali após uma votação nominal é o que está no painel. Se fosse uma votação simbólica isolada nós poderíamos até questionar isso. Mas o governo optou por um procedimento de votação nominal. A partir daquele momento o painel é quem determina a quantidade de votos necessária para aprovar ou não", afirmou.

O argumento de Viana tem como base o fato de, anteriormente, ter havido uma votação registrada no painel eletrônico com a presença de 31 integrantes da CPMI.

Por essa tese, durante a votação do requerimento que tratava de Lulinha presumiria-se a presença de todos os 31 que estavam anteriormente. Isso porque a votação foi "simbólica", ou seja, sem registro eletrônico dos votos, apenas a visualização da manifestação dos parlamentares em plenário --com os contrários se levantando e acenando com a mão.

Viana e oposicionistas afirmaram que seria necessária a manifestação de mais da metade do quórum do painel da votação anterior para barrar a aprovação dos requerimentos, ou seja, ao menos 16, mas o argumento não encontra amparo nas regras regimentais.

Mesmo no caso de votações simbólicas, a regra estipula que vence quem tem maioria no plenário no momento da votação.

O SBT News analisou as imagens do momento da votação. 

Ao todo, 14 integrantes titulares da CPMI que estavam no plenário se manifestaram contra os requerimentos: Jaques Wagner (PT-BA) Randolfe Rodrigues (PT-AP), Paulo Pimenta (PT-RS), Soraya Thronicke (Podemos-MS), Rogério Corrêa (PT-MG), Jussara Lima (PSD-PI), Tereza Leitão (PY-PE), Orlando Silva (PC do B-SP), Alencar Santana (PT-SP), Damião Feliciano (União-PB), Neto Carletto (Avante-BA), Atila Lira (PP-PI), Cleber Verde (MDB-MA) e Romero Rodrigues (Podemos-PB).

A oposição somava 13 integrantes, mas 3 deles não podiam votar porque eram suplentes, e os titulares de suas bancadas estavam presentes. 

"Eu contei 7 [governistas], duas vezes, inclusive. E mesmo que o governo tivesse 14 votos, como estão argumentando, eles teriam perdido", disse Viana.

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