Política

Base do governo diz que Viana agiu de má-fé em votação que determinou quebra de sigilo de Lulinha

Deputados Rogério Correia e Alencar Santana dizem que presidente da CPMI violou regimento interno

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Os deputados Rogério Correia (PT-MG) e Alencar Santana (PT-SP) disseram ao SBT News que vão recorrer ao presidente do Senado e do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), para anular a votação que determinou a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, nesta quinta-feira (26).

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A base governista alega que o presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), violou o regimento interno ao fazer uma contagem errada durante a votação simbólica para aprovar os requerimentos de quebra de sigilo. Os deputados dizem que 14 deputados se manifestaram contra a quebra, mas Viana entendeu que eram necessários ao menos 16.

"Ou ele contou errado e é ruim de matemática porque saiu da escola, ou ele foi maldoso. Eu acredito na segunda hipótese", disse o deputado Alencar Santana, que completou: "Desse jeito não dá para a CPMI continuar. O relator já é tendencioso e o presidente também".

Pela regra, a votação simbólica é feita com o presidente convocando os deputados favoráveis a permanecer sentados. Viana definiu que os 82 requerimentos em pauta seriam votados em globo – ou seja, em conjunto, sem a análise individual.

O conflito é sobre o entendimento do quórum: para os governistas, a maioria simples na votação simbólica deve considerar os presentes fisicamente no momento da votação (21 congressistas), enquanto Viana entende que o quórum é referente ao total de integrantes da CPMI (32).

Houve ainda confusão sobre se os suplentes poderiam votar ou não. No fim, Viana permitiu conquanto os titulares não estivessem presentes.

"O regimento é muito claro: a votação, quando é simbólica, é por maioria dos membros da reunião. Ou seja, dos presentes que estão lá fisicamente. Nós temos a imagem: fisicamente tinha 14 pessoas em pé e 7 sentados", afirmou Rogério Correia.

Depois da sessão, Viana disse em coletiva que o governo foi à CPMI com a intenção de bloquear a pauta e "perdeu" porque o "jogo virou".

Confusão na votação

A CPMI do INSS aprovou nesta quinta a quebra de sigilos de Lulinha por suspeita de envolvimento nas fraudes via descontos associativos ilegais em aposentadorias e pensões. A transmissão ao vivo da sessão foi interrompida após parlamentares governistas protestarem contra a aprovação de todos os 87 requerimentos colocados em pauta.

A confusão se iniciou assim que aprovação dos requerimentos foi confirmada por Viana. Congressistas da base do governo se aproximaram da mesa da presidência e houve bate-boca, empurrões e tumulto.

Além do pedido de quebra de sigilos de Lulinha, apresentado pelo relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), também estavam na lista convocações de nomes para depor na comissão, como Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master e atual controlador do Banco Pleno, e Leila Pereira, presidente da Crefisa e do Palmeiras.

"Não dá para a CPMI ser transformada somente em uma investigação tendenciosa e uma disputa política. Uma coisa é você pedir convocações e quebra de sigilo a partir de materialidade, de suspeitas concretas. Outra coisa é fazer uma ilação contra alguém e dizer que essa pessoa tem que ir amanhã depor. Isso é muito ruim em qualquer situação", criticou Santana.

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