Lula volta a enfrentar maré contrária após se recuperar de tombo do primeiro semestre de 2025
Em fevereiro do ano passado, petista chegou à popularidade mais baixa de seus três mandatos, mas se recuperou no segundo semestre

O presidente Lula (PT) voltou neste início de 2026 a enfrentar uma maré política desfavorável após ter se recuperado do quadro crítico que enfrentou há um ano, quando sua popularidade atingiu o ponto mais baixo de seus três mandatos no Palácio do Planalto.
Episódios desfavoráveis na área de segurança pública e na busca de apoio no eleitorado evangélico e mais conservador se aliam à intensificação das suspeitas de participação de seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no escândalo do INSS.
Em meio a esse novo inferno astral, as duas pesquisas eleitorais divulgadas (Atlas/Bloomberg e Paraná Pesquisas) mostram Flávio Bolsonaro (PL) pela primeira vez numericamente na dianteira da corrida presidencial, embora em empate técnico com o petista.
Aliados do presidente da República ressaltam que há ainda considerável espaço para nova recuperação nos sete meses que faltam para as eleições e que a oscilação da maré política é a prova inequívoca de que muita coisa ainda pode acontecer até outubro.
No início do ano passado, Lula viu seu governo chegar ao fundo do poço na avaliação popular em uma época de expressiva alta na inflação dos alimentos e de ambiente hostil no Congresso.
A ponto de um vídeo do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que alcançou mais de 300 milhões de visualizações, ter forçado a equipe econômica a recuar de uma medida da Receita Federal que ampliava o monitoramento de transações financeiras.
Em fevereiro, o Datafolha mostrou que a aprovação de Lula havia tombado a 24%, o pior nível de seus três mandatos, com reprovação de 41%.
Uma aparente pá de cal foi dada pelo Congresso Nacional em junho, ao derrubar na Câmara os decretos de aumento das alíquotas do IOF, medida pensada pela Fazenda para arrecadar R$ 20 bilhões e zerar o déficit fiscal.
A derrota, a primeira derrubada de decretos presidenciais em 33 anos, reuniu 383 dos 513 deputados, apesar de Lula ter distribuído 11 ministérios a partidos do centrão para tentar manter a governabilidade no Congresso.
O meio político tratou a votação, na ocasião, como a morte antecipada de Lula 3, levantando, inclusive, dúvidas sobre se o petista tentaria de fato a reeleição.
A partir daí, porém, os ventos mudaram para Lula, em uma recuperação iniciada, ironicamente, a partir da derrubada dos decretos do IOF.
Uma campanha nas redes, patrocinada por alas do PT, colou no Congresso o rótulo de "inimigo do povo" sob o argumento de que parlamentares buscavam blindar bilionários em detrimento da população mais pobre.
A ofensiva pela isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil e pelo aumento na taxação dos super-ricos tirou o governo das cordas e fez o Congresso recuar.
Na mesma época, o governo de Donald Trump anunciou um "tarifaço" de 50% sobre produtos brasileiros, medida reivindicada pelo então deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) como fruto de seu trabalho nos EUA para forçar autoridades brasileiras e livrarem o pai, Jair Bolsonaro, de punição pela trama golpista do final de 2022.
A reação de Lula permitiu ao governo e à esquerda a retomada da bandeira da soberania e das cores verde e amarela, monopólio do bolsonarismo havia anos, estratégia coroada depois pelos sinais amistosos emitidos por Trump posteriormente --nos bastidores da Assembleia Geral da ONU em Nova York, o norte-americano disse ter tido "uma ótima química" com o petista-- e pelo abrandamento das medidas.
Governistas e até aliados de Bolsonaro passaram a criticar as ações de Eduardo, dizendo que ele era até então "o camisa 10 de Lula".
Apesar do tarifaço e das sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal baseadas na Lei Magnitsky, depois retiradas, a corte aplicou em setembro a pena de 27 anos e 3 meses de prisão ao ex-presidente.
No mesmo dia, o Datafolha registrou a aprovação de Lula em 33% — o maior índice de 2025.
Se o primeiro trimestre de 2025 foi muito ruim para Lula e o segundo, muito bom, o início de 2026 voltou a lançar sombras sobre a caravana petista.
Um importante flanco contrário foi aberto ainda em 2025 pelo próprio Lula quando, em visita à Indonésia, disse que traficantes também são vítimas dos usuários. Ele recuou horas depois dizendo nas redes sociais que a frase foi "mal colocada", mas a oposição elegeu o tropeço como um dos motes da pré-campanha.
Nessa seara, Lula patrocinou o envio ao Congresso da chamada PEC da Segurança Pública, que pode ser votada na semana que vem, mas de forma desidratada.
Já no Carnaval houve o que é considerado até agora, por parlamentares e até integrantes do governo, a principal derrapada de Lula na atual pré-campanha, a homenagem recebida pela escola Acadêmicos de Niterói.
Além de a escola ter sido rebaixada, o que já era esperado, Lula foi à Marquês de Sapucaí prestigiar o desfile em que a escola ironizou evangélicos e conservadores com a ala que colocou esses personagens em latas de conserva.
Lula sofre muita resistência desses dois grupos.
Ao mesmo tempo em que Atlas e Paraná Pesquisas mostram um crescimento contínuo de Flávio, com proporcional queda de Lula, veio à tona a notícia de que o STF quebrou os sigilos de Lulinha.
O próprio presidente já havia se manifestado sobre o assunto dizendo ter conversado com o filho mais velho, dizendo que se ele tiver alguma culpa terá que pagar. E que se não tiver tem que se defender.
A CPMI do INSS também aprovou nesta quinta (26) a quebra dos sigilos de Lulinha, embora baseada em uma decisão do presidente da comissão, o oposicionista Carlos Viana (Podemos-MG), que ignorou a votação de fato ocorrida no plenário --majoritariamente contrária à quebra.



















































