Gilmar critica ordem tecnofeudal dominada por big techs
Ministro do STF disse que usuários são servos digitais, submetidos às regras e interesses das grandes plataformas


O ministro do STF Gilmar Mendes durante palestra no XIV Fórum de Lisboa | Reprodução/YouTube @sejaidp
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes criticou, nesta segunda-feira (1º), o papel das grandes empresas de tecnologia na sociedade contemporânea e afirmou que o mundo vive uma nova ordem tecnofeudal, em que as big techs concentram poder econômico, informacional e político.
“O capitalismo convencional cedeu lugar na contemporaneidade a uma nova ordem: o tecnofeudalismo. Nessa configuração, o poder não se estabelece mais pela livre concorrência entre capitais, mas pelo domínio absoluto exercido pelas plataformas digitais, que monopolizam a atenção coletiva, ditam comportamentos e extraem rendas tanto de usuários quanto de empreendedores", disse o ministro durante a abertura do XIV Fórum de Lisboa.
Gilmar é idealizador do evento. Neste ano, a edição tem como tema a “Nova Ordem Internacional, Tecnologia e Soberania: Desafios Democráticos, Econômicos e Sociais”.
Durante sua fala, o magistrado também afirmou que, na nova ordem mundial, os usuários ficam submetidos às regras e aos interesses das grandes plataformas, perdendo autonomia sobre sua atuação no ambiente digital.
“Os cidadãos assumem a condição de servos digitais. As empresas pagam taxa para operar nas plataformas administradas pelos novos senhores da terra: as big techs, que, hoje, pretendem subjugar e ver curvados diante de si os próprios estados”, declarou.
Para Gilmar Mendes, o avanço desse fenômeno representa um desafio direto às democracias contemporâneas. O ministro defendeu o fortalecimento do chamado constitucionalismo digital, voltado à limitação do poder das grandes plataformas por meio da proteção dos direitos fundamentais no ambiente virtual.
Ele afirmou ainda que a regulação das plataformas digitais e da inteligência artificial deve ser tratada como uma questão central para a preservação das instituições democráticas.
“Ao lado da precoupação com a salvaguarda de direitos dos cidadãos, as autoridades e a sociedade civil deve encarar a regulação das plataformas digitais e da inteligência artificial não como questões periféricas, mas como condição de preservação do próprio regime democrático”, disse.
Ao citar iniciativas adotadas no Brasil, Gilmar afirmou que o país “vem fazendo a sua parte”.
Como exemplo, mencionou o julgamento realizado pelo STF, em junho de 2025, sobre a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet, que definiu parâmetros para a responsabilização de plataformas digitais.















