Lula rebate Trump e chama tarifa dos EUA de erro estratégico
Em artigo publicado no jornal Washington Post, presidente afirmou que Brasil não será derrotado "com base em mentiras"
Camila Stucaluc
O presidente Lula durante agenda de eventos em Santa Catarina | Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar as novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Em artigo publicado no jornal norte-americano The Washington Post neste domingo (26), o chefe do Executivo classificou a taxação como um “erro estratégico”.
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Para Lula, a decisão do governo de Donald Trump tem motivação política. No texto, ele lembra que o primeiro tarifaço aplicado por Washington sobre produtos brasileiros, em 2025, fazia referência ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado mais tarde por tentativa de golpe de Estado.
Desta vez, as justificativas do governo norte-americano são baseadas numa acusação de práticas desleais de comércio por parte do Brasil, incluindo o Pix e a política ambiental.
“As alegações do presidente Trump contra o Brasil, numa tentativa de justificar as tarifas, são infundadas. Nosso sistema de pagamento, Pix, não discrimina empresas americanas e é uma referência internacional para infraestrutura digital pública. O mundo inteiro sabe que, a partir de 2023, combatemos as atividades ambientais ilícitas de forma incisiva e drasticamente reduzida o desmatamento em todos os biomas brasileiros”, escreve Lula.
“Tentativas de impor correntes ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, são insustentáveis. Nunca antes um Secretário de Estado dos EUA qualificou o Brasil como país não amigo. Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras”, acrescenta.
Lula afirma ainda que as sobretaxas prejudicam tanto o Brasil quanto os Estados Unidos, uma vez que os setores industriais norte-americanos dependem de insumos brasileiros, como alimentos, calçados, têxteis e móveis. Segundo ele, no médio prazo, as tarifas levarão à interrupção das cadeias de produção atualmente densamente integradas, acelerando a aproximação comercial do Brasil com outros parceiros.
"As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram para o nível mais baixo desde 1997. Comparando os primeiros 6 meses de 2025 e 2026, o comércio bilateral com os EUA caiu 12,8%, enquanto o comércio com a União Europeia cresceu 6,1% e com a China aumentou 15,9%", pontua.
O presidente encerra afirmando que está aberto a continuar dialogando com as autoridades norte-americanas, mas reforça que o Brasil tem mecanismos para responder com reciprocidade.
“Respeitamos a soberania de outros Estados e negociamos com todos que sabem respeitar a nossa. A reciprocidade é a base de toda relação entre nações, e temos mecanismos apropriados para garantir isso. Estamos prontos para continuar dialogando de maneira aberta e construtiva, conforme a relação entre dois países como Brasil e Estados Unidos exige. Mas o destino do Brasil pertence exclusivamente aos brasileiros, sem interferência ou submissão externa.”
A avaliação foi feita com base na Seção 301 da Lei de Comércio, de 1974. O trecho permite ao governo norte-americano investigar e retaliar, com sobretaxas e sanções, países cujas práticas comerciais sejam consideradas injustas, discriminatórias ou prejudiciais aos interesses dos Estados Unidos.
Segundo o governo federal, a medida atinge cerca de 2,4 mil empresas e 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 7,4 bilhões, considerando os embarques realizados em 2024. Madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e etanol estão entre os segmentos mais expostos.
Na última semana, o USTR também confirmou a taxa adicional de 12,5% ao Brasil, e outros 59 países, por falhas no combate ao trabalho forçado. A pasta justificou que tal prática cria concorrência desleal e impõe restrições ao comércio norte-americano, conforme a legislação federal. Com isso, a taxação sobre os produtos brasileiros chega a 37,5%.
Lula rebate Trump e chama tarifa dos EUA de erro estratégicoEm artigo publicado no jornal Washington Post, presidente afirmou que Brasil não será derrotado "com base em mentiras"Política2026-07-26T15:02:09.287ZO presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar as . Em artigo publicado no jornal norte-americano The Washington Post neste domingo (26), o chefe do Executivo classificou a taxação como um “erro estratégico”. 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! e siga o canal do SBT News. Para Lula, a decisão do governo de Donald Trump tem motivação política. No texto, ele lembra que o , em 2025, fazia referência ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado mais tarde por tentativa de golpe de Estado. Desta vez, as justificativas do governo norte-americano são baseadas numa acusação de práticas desleais de comércio por parte do Brasil, incluindo o Pix e a política ambiental. “As alegações do presidente Trump contra o Brasil, numa tentativa de justificar as tarifas, são infundadas. Nosso sistema de pagamento, Pix, não discrimina empresas americanas e é uma referência internacional para infraestrutura digital pública. O mundo inteiro sabe que, a partir de 2023, combatemos as atividades ambientais ilícitas de forma incisiva e drasticamente reduzida o desmatamento em todos os biomas brasileiros”, escreve Lula. “Tentativas de impor correntes ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, são insustentáveis. Nunca antes um Secretário de Estado dos EUA qualificou o Brasil como país não amigo. Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras”, acrescenta. Lula afirma ainda que as sobretaxas prejudicam tanto o Brasil quanto os Estados Unidos, uma vez que os setores industriais norte-americanos dependem de insumos brasileiros, como alimentos, calçados, têxteis e móveis. Segundo ele, no médio prazo, as tarifas levarão à interrupção das cadeias de produção atualmente densamente integradas, acelerando a aproximação comercial do Brasil com outros parceiros. "As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram para o nível mais baixo desde 1997. Comparando os primeiros 6 meses de 2025 e 2026, o comércio bilateral com os EUA caiu 12,8%, enquanto o comércio com a União Europeia cresceu 6,1% e com a China aumentou 15,9%", pontua. O presidente encerra afirmando que está aberto a continuar dialogando com as autoridades norte-americanas, mas reforça que o Brasil tem mecanismos para responder com reciprocidade. “Respeitamos a soberania de outros Estados e negociamos com todos que sabem respeitar a nossa. A reciprocidade é a base de toda relação entre nações, e temos mecanismos apropriados para garantir isso. Estamos prontos para continuar dialogando de maneira aberta e construtiva, conforme a relação entre dois países como Brasil e Estados Unidos exige. Mas o destino do Brasil pertence exclusivamente aos brasileiros, sem interferência ou submissão externa.” Entenda A (USTR, na sigla em inglês), que acusou o Brasil de promover práticas desleais e prejudiciais ao comércio norte-americano. Ao todo, o órgão citou seis pontos principais na investigação, como desmatamento ilegal, acesso ao comércio de etanol e o Pix. A avaliação foi feita com base na Seção 301 da Lei de Comércio, de 1974. O trecho permite ao governo norte-americano investigar e retaliar, com sobretaxas e sanções, países cujas práticas comerciais sejam consideradas injustas, discriminatórias ou prejudiciais aos interesses dos Estados Unidos. Segundo o governo federal, a medida atinge cerca de 2,4 mil empresas e 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 7,4 bilhões, considerando os embarques realizados em 2024. Madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e etanol estão entre os segmentos mais expostos. Na última semana, o , e outros 59 países, por falhas no combate ao trabalho forçado. A pasta justificou que tal prática cria concorrência desleal e impõe restrições ao comércio norte-americano, conforme a legislação federal. Com isso, a taxação sobre os produtos brasileiros chega a 37,5%.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/lula-rebate-trump-e-chama-tarifa-dos-eua-de-erro-estrategico
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