Pesquisa vê desgaste de Flávio e espaço para novos nomes
Sócio da Realtime BigData avalia cenário para 2026 e aponta crescimento de Caiado, Zema e Renan Santos

O avanço de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno da eleição presidencial de 2026 pode ser um sinal de alerta para a direita. A avaliação é de Wilson Pedroso, sócio da Realtime BigData, instituto responsável pela pesquisa divulgada nesta segunda-feira (1º), que mostra o presidente abrindo vantagem sobre o senador e indica crescimento de outros nomes do campo conservador.
Em entrevista ao Radar News, Pedroso afirmou que o principal desgaste de Flávio Bolsonaro aparece justamente nos cenários de segundo turno, tradicionalmente decisivos para medir a viabilidade eleitoral dos candidatos.
"O grande desgaste para Flávio Bolsonaro vem justamente no segundo turno, onde o presidente Lula abre 5 pontos acima da margem de erro", afirmou.
Segundo o levantamento, Lula tem 45% das intenções de voto contra 40% de Flávio em uma eventual disputa direta. Já nos cenários contra Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), o petista aparece tecnicamente empatado dentro da margem de erro.
Caiado e Zema ganham força contra Lula
Para Pedroso, os números indicam que parte do eleitorado da direita ainda não consolidou apoio ao nome de Flávio Bolsonaro como herdeiro natural do capital político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A pesquisa mostra que Caiado e Zema aparecem em posição mais competitiva diante de Lula.
Segundo o analista, os dados sugerem que ambos "podem ter condições reais de ganhar de Lula", enquanto "Flávio passa a ser uma dúvida real" para o campo conservador.
A leitura é reforçada pelos índices de segunda opção de voto. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, Caiado aparece com 23% e Zema com 20% das preferências caso o senador não dispute a eleição.
Centro pode decidir eleição de 2026
Outro dado que chamou atenção na análise do instituto é a existência de um eleitorado que ainda não se identifica com a polarização entre petismo e bolsonarismo.
"Existe um campo de centro que é o campo a ser conquistado. Se o presidente Lula, o Flávio [Bolsonaro], o [Ronaldo] Caiado, o [Romeu] Zema ou o Renan [Santos] querem ganhar a eleição, eles têm que pegar esse eleitor que não está satisfeito com a polarização, com os candidatos que estão aí", disse Pedroso.
Na avaliação dele, esse grupo pode se tornar decisivo à medida que a campanha eleitoral se aproxima. Por enquanto, porém, o cenário ainda está fortemente influenciado pela disputa entre os dois principais polos políticos do país.
"O eleitor ainda está muito atento à polarização e pouco atento às eleições", afirmou.
Renan Santos pode crescer, diz instituto
A pesquisa também testou o nome de Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e possível candidato do partido Missão. Embora ainda apareça distante dos principais concorrentes, Pedroso avalia que o desempenho inicial merece atenção.
"Desde a eleição de Jair Bolsonaro, os eleitores procuram alguém fora da política, que não seja o político tradicional. Pelo que a gente tem visto, esse nome tem sido o Renan Santos. As pessoas têm identificado ele como um candidato fora dessa polarização. Ele pode surpreender ao longo das próximas pesquisas", declarou.
No levantamento, Renan registra a menor taxa de rejeição entre os nomes mais competitivos testados, com 28%.
Por que Lula aparece em vantagem?
Para o sócio da RealTime BigData, a melhora do desempenho de Lula em relação a Flávio Bolsonaro pode ser explicada por uma combinação de fatores políticos e econômicos.
"O presidente Lula, de alguma forma, tem conseguido se distanciar do Flávio. Seja por conta das gravações do Flávio [com Daniel Vorcaro, divulgadas pelo site Intercept Brasil], seja por conta da direita não conseguir se organizar, seja pelos benefícios que ele tem demonstrado: 6 por 1, o Desenrola, essas questões estão começando a chegar no bolso das pessoas", afirmou.
Ao mesmo tempo, Pedroso avalia que a direita ainda não construiu consenso em torno de um nome para a sucessão presidencial. "A direita ainda não está satisfeita e convicta que o nome é Flávio Bolsonaro", concluiu.
A pesquisa RealTime BigData ouviu 2.000 eleitores em todo o país nos dias 29 e 30 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.















