Política

Deputado estopim de operação diz que relatou à PF divergências com Lira sobre emendas, não desvio

José Rocha (União Brasil-BA) afirmou que ex-presidente da Câmara insinuou que ele poderia ser destituído de comissão

Avatar de Ranier Bragon
Ranier Bragon

Uma das testemunhas chave na operação deflagrada pela Polícia Federal na Câmara nesta sexta-feira (12), o deputado federal José Rocha (União Brasil-BA) afirmou ao SBT News que relatou à polícia divergências com Arthur Lira (PP-AL) em relação a distribuição de emendas parlamentares, não suspeita de desvio.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Por ordem do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino, a PF fez busca e apreensão em endereços da assessora parlamentar Mariangela Fialek, conhecida como Tuca, que gerencia o repasse de emendas desde a gestão de Lira.

Rocha presidia a Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional da Câmara em 2024 e travou um embate com o então presidente da Casa na distribuição de cerca de R$ 1 bilhão em emendas relativas ao colegiado.

"Eu recebi as planilhas, os ofícios prontos da presidência da Tuca para ser enviadas para o Ministério da Integração. Recebi a primeira, que não tinha nem autor [da emenda] nem o objeto para o qual ia ser utilizado o recurso", diz Rocha.

"Recebi a segunda, aí na segunda tinha R$ 320 milhões em obras no estado de Alagoas. Aí eu segurei. Aí já veio a terceira, a quarta, segurei. Depois da quarta, Arthur Lira me liga dizendo que eu estava criando problema."

Ainda segundo o relato do parlamentar, o então presidente da Câmara afirmou que os valores decididos para encaminhamentos aos ministérios era fruto de acerto entre os líderes das bancadas partidárias e que se ele, Rocha, resistisse, poderia ser destituído da presidência da comissão por uma moção de desconfiança da sua bancada.

"Aí quando ele me disse isso, eu disse: 'Olha, primeiro, eu fui colega de seu pai [o também congressista Benedito de Lira], que eu respeito muito. Agora, você não merece meu respeito'. E desliguei o telefone."

O SBT News procurou Lira e atualizará esse texto caso haja manifestação.

Parlamentares ouvidos nessa sexta e em períodos anteriores dizem que Rocha se insurgiu por ter perdido poder de destinar verbas para onde ele queria e que em 2024 não havia regra pacificada estabelecendo que as comissões deveriam aprovar os repasses do modo como Rocha queria fazer.

Na ocasião, a praxe era o comando da Câmara decidir a destinação dessas verbas em acordo com os líderes partidários, cabendo às comissões temáticas da Câmara apenas o papel de chancelar o que não haviam, de fato, discutido ou decidido.

O deputado do União Brasil também negou que no depoimento à Polícia Federal tenha falado em suspeita de desvio desses recursos.

Diferentemente das emendas impositivas, ou seja, de execução obrigatória, as emendas de Comissão são distribuídas e liberadas exclusivamente por conveniência política. Desde que assumiu o posto no STF, Dino, que foi ministro da Justiça de Lula, tem dado decisões que batem de frente com o Congresso na questão das emendas.

Além de chefiar investigações sobre desvios de verbas, ele tem dado reiteradas decisões cobrando mais transparência, rastrabilidade e critérios à distribuição das emendas.

Em 2024, Dino mandou suspender o repasse de R$ 4,2 bilhões sob o argumento de que a distribuição das comissões não teria obedecido ao rito adequado e careceria de transparência e rastreabilidade.

As suspeitas foram reforçadas por depoimentos de Rocha e também de Glauber Braga (PSOL-RJ), crítico declarado do que ele classifica como "orçamento secreto" no manejo das emendas.

Mariangela Fialek exerceu o cargo de assessora técnica CNE-07 na presidência da Câmara, na gestão de Lira. O parlamentar presidiu a Câmara de 2021 a 2025 e mantém alta influência na Casa.

Fialek é apontada por parlamentares como uma pessoa técnica que gerencia emendas relativas a todos os partidos, incluindo os da esquerda. Ela cuidaria da parte burocrática, seguindo a orientação acordada pelos líderes partidários.

As emendas parlamentares movimentam cerca de R$ 50 bilhões ao ano. Arthur Lira comandou a distribuição e liberação de parte dessas verbas em boa parte dos quatro anos em que esteve na Presidência da Câmara, como forma de manter o apoio das bancadas parlamentares.

O atual presidente da Câmara é aliado e foi indicado e aprovado ao cargo com aval de Lira.

Mais da Coluna do Ranier

SBT News

Últimas notícias de Política