Política

STF já teve choque de decisões, e Lula foi alvo em uma delas

Assim como impasse entre Mendonça e Dino, em 2018 Lewandowski liberou entrevista de Lula, então preso, e Fux vetou

Avatar de Ranier Bragon
Ranier Bragon
Sessão no plenário do STF | Divulgação/Gustavo Moreno/STF

Sessão no plenário do STF | Divulgação/Gustavo Moreno/STF

O STF (Supremo Tribunal Federal) tem alguns raros casos de decisões individuais de seus ministros que entraram em choque, inclusive com ordens incompatíveis sobre um mesmo ato, mas a maioria delas envolvia a figura que ocupava a presidência da corte.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Em todos os precedentes não havia, como agora, críticas e suspeitas envolvendo a própria atuação dos ministros.

Um caso emblemático ocorreu em plena campanha eleitoral de 2018 e tinha Lula (PT) no centro da disputa.

O petista estava à época preso em decorrência de condenação na Lava Jato.

Em setembro daquele ano, Ricardo Lewandowski autorizou os jornalistas Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, e Florestan Fernandes Júnior a entrevistar Lula na Superintendência da PF em Curitiba.

Após pedido do Partido Novo, Luiz Fux, então vice-presidente, mas no exercício da Presidência do STF, suspendeu a autorização e determinou que Lula não concedesse entrevista ou declaração até que o plenário examinasse o caso.

Três dias depois, Lewandowski reafirmou sua decisão.

Sustentou que o mecanismo de suspensão de liminar não permitia à presidência suspender decisão de outro integrante do próprio STF e disse que a ordem de Fux não poderia produzir efeitos.

O impasse foi resolvido provisoriamente por Dias Toffoli, então presidente titular da corte, que manteve a decisão de Fux até posterior deliberação do Plenário.

A entrevista não ocorreu naquele momento.

Lula e juíza discutem rispidamente durante depoimento do ex-presidente
Lula e juíza discutem rispidamente durante depoimento do ex-presidente

Em 3 de abril de 2021, houve outro precedente. Nunes Marques concedeu liminar para impedir estados e municípios de proibir totalmente cultos e missas presenciais durante a pandemia de Covid-19.

Dois dias depois, Gilmar Mendes manteve em vigor o decreto de São Paulo que vedava temporariamente essas celebrações.

As decisões, tomadas em processos distintos, produziam efeitos incompatíveis em São Paulo.

O plenário resolveu a controvérsia em 8 de abril, ao considerar válidas as restrições temporárias adotadas por estados e municípios. Nunes então revogou sua própria liminar, afirmando fazê-lo “em respeito ao decidido pelo colegiado”.

Teste de covid-19 sendo realizado
Teste de covid-19 sendo realizado

Outras colisões ocorridas no Supremo envolveram ministros que eram presidentes da corte.

Em dezembro de 2018, por exemplo, Marco Aurélio Mello concedeu liminar suspendendo a execução da pena de condenados sem trânsito em julgado, medida que poderia atingir a prisão de Lula. No mesmo dia, Toffoli, como presidente do STF, acolheu pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) e suspendeu a decisão por considerá-la contrária ao entendimento então vigente do plenário.

Em janeiro de 2020 Toffoli suspendeu, durante as férias coletivas, uma portaria do Ministério da Justiça que estabelecia diretrizes para a participação da Polícia Rodoviária Federal em operações conjuntas em áreas de interesse da União.

Em março, Marco Aurélio, tornou “insubsistente a decisão”. O plenário posteriormente referendou a decisão de Marco Aurélio.

Algo semelhante ocorreu com o juiz das garantias.

Em 15 de janeiro de 2020, Toffoli manteve o instituto, mas adiou sua implementação. Em 22 de janeiro, Fux, relator das ações que discutiam o tema, revogou a decisão e suspendeu o juiz das garantias por tempo indeterminado.

Fux era o relator natural das ações, mas também estava responsável pelo plantão judiciário naquele período.

Em julho daquele ano, durante as férias coletivas, Toffoli determinou o compartilhamento com a PGR das bases de dados das forças-tarefas da Lava Jato. Em 3 de agosto, Fachin, relator da reclamação, negou seguimento ao pedido que havia dado origem à medida.

Wilson Witzel, que sofreu impechment do cargo de governador do RJ
Wilson Witzel, que sofreu impechment do cargo de governador do RJ

No processo de impeachment de Wilson Witzel, Toffoli também decidiu durante o plantão de julho de 2020 pela desconstituição da comissão formada na Assembleia Legislativa do Rio.

Em agosto, Alexandre de Moraes, relator da reclamação, julgou o pedido improcedente e validou a comissão. O plenário posteriormente manteve a posição de Moraes.

Na terça-feira (8), André Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues da diretoria-geral da Polícia Federal. Também restringiu a produção de determinados relatórios de inteligência da corporação.

Nesta quarta-feira (9), Dino, atendendo a requerimento apresentado pelo próprio Andrei, determinou o contrário.

Também afirmou que a controvérsia sobre os relatórios da PF deve ser examinada pelo plenário. Disse que, uma vez instaurado por Edson Fachin um procedimento sobre o mesmo conjunto de fatos, Mendonça deveria recorrer à Presidência ou ao plenário, e não decidir em causa própria.

Mais da Coluna do Ranier

Últimas notícias de Política