Fachin cancela sessão do STF em meio à crise entre ministros
Decisão ocorre após Dino suspender afastamento de diretores da PF determinado por Mendonça
Hariane Bittencourt
Presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, na sessão de encerramento do primeiro semestre de 2026 | Divulgação/Rosinei Coutinho/STF
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, cancelou a sessão plenária prevista para esta quarta-feira (9). A reunião teria início às 14h. O cancelamento ocorre em meio ao agravamento da crise interna na Corte.
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A expectativa era de que Fachin se manifestasse no início da sessão sobre a tensão entre os ministros. O cenário se agravou nesta quarta após o ministro Flávio Dino determinar a reintegração do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.
A decisão de Dino suspendeu os efeitos da determinação de André Mendonça, que havia afastado os dois dirigentes da PF na terça-feira (8).
O movimento ocorre enquanto Fachin analisa um pedido apresentado pela Advocacia-Geral da União (AGU) para suspender a decisão de Mendonça. Na noite de terça-feira, o presidente do STF deu 72 horas para que Mendonça se manifestasse sobre o pedido.
Ao justificar a decisão, Dino afirmou que o afastamento dos dirigentes poderia interromper o andamento de centenas de investigações, inclusive casos sob sua relatoria. O ministro também citou os impactos sobre investigações relacionadas ao filme "Dark Horse", que envolve recursos públicos e tem como personagem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O cancelamento da sessão desta quarta consta no calendário do STF. Até o momento, a Corte mantém a previsão de sessão plenária para quinta-feira (10).
Fachin também cancelou a participação em um evento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) previsto para esta quarta. Na terça-feira (8), durante um compromisso no próprio CNJ, o ministro afirmou estar "plenamente convencido" de que o Poder Judiciário brasileiro está à altura dos desafios atuais e que a Justiça não faltará à legalidade constitucional.
A manifestação ocorreu no mesmo dia em que Mendonça afastou os diretores da PF, aprofundando a crise entre integrantes do Supremo. O conflito ganhou força depois que Mendonça determinou a abertura do sigilo de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Em seguida, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado.
Desde então, Fachin passou a ser pressionado a apresentar uma resposta institucional para a crise. Na semana passada, o presidente do STF afirmou que a Corte daria uma resposta "firme, proporcional e rigorosa" aos fatos envolvendo os ministros.
Nos bastidores, a condução de Fachin passou a ser questionada diante da sucessão de decisões monocráticas e da demora para apresentar uma solução definitiva para o conflito. Ao mesmo tempo, o presidente do STF busca alternativas para conter a escalada da crise, inclusive com a possibilidade de assumir a relatoria de processos relacionados ao Banco Master e ao INSS.
Fachin cancela sessão do STF em meio à crise entre ministrosDecisão ocorre após Dino suspender afastamento de diretores da PF determinado por MendonçaBrasil2026-09-09T14:07:34.431ZO presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, cancelou a sessão plenária prevista para esta quarta-feira (9). A reunião teria início às 14h. O cancelamento ocorre em meio ao agravamento da crise interna na Corte. A expectativa era de que Fachin se manifestasse no início da sessão sobre a tensão entre os ministros. O cenário se agravou nesta quarta após o ministro Flávio Dino determinar a reintegração do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. A decisão de Dino suspendeu os efeitos da determinação de André Mendonça, que havia afastado os dois dirigentes da PF na terça-feira (8). O movimento ocorre enquanto Fachin analisa um pedido apresentado pela Advocacia-Geral da União (AGU) para suspender a decisão de Mendonça. Na noite de terça-feira, o presidente do STF deu 72 horas para que Mendonça se manifestasse sobre o pedido. Ao justificar a decisão, Dino afirmou que o afastamento dos dirigentes poderia interromper o andamento de centenas de investigações, inclusive casos sob sua relatoria. O ministro também citou os impactos sobre investigações relacionadas ao filme "Dark Horse", que envolve recursos públicos e tem como personagem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O cancelamento da sessão desta quarta consta no calendário do STF. Até o momento, a Corte mantém a previsão de sessão plenária para quinta-feira (10). Fachin também cancelou a participação em um evento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) previsto para esta quarta. Na terça-feira (8), durante um compromisso no próprio CNJ, o ministro afirmou estar "plenamente convencido" de que o Poder Judiciário brasileiro está à altura dos desafios atuais e que a Justiça não faltará à legalidade constitucional. A manifestação ocorreu no mesmo dia em que Mendonça afastou os diretores da PF, aprofundando a crise entre integrantes do Supremo. O conflito ganhou força depois que Mendonça determinou a abertura do sigilo de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Em seguida, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado. Desde então, Fachin passou a ser pressionado a apresentar uma resposta institucional para a crise. Na semana passada, o presidente do STF afirmou que a Corte daria uma resposta "firme, proporcional e rigorosa" aos fatos envolvendo os ministros. Nos bastidores, a condução de Fachin passou a ser questionada diante da sucessão de decisões monocráticas e da demora para apresentar uma solução definitiva para o conflito. Ao mesmo tempo, o presidente do STF busca alternativas para conter a escalada da crise, inclusive com a possibilidade de assumir a relatoria de processos relacionados ao Banco Master e ao INSS. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/fachin-cancela-sessao-do-stf-em-meio-a-crise-entre-ministros