Assassino confesso grava vídeo acusando rivais de Dino no MA
Condenado por crime em 2022 foi transferido por ministro do STF para o regime semiaberto em maio

O ministro do STF Flávio Dino | Rosinei Coutinho/STF
Transferido em maio para o regime de prisão semiaberto por Flávio Dino, um condenado por um assassinato em 2022 gravou vídeos com acusações contra o governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), familiares e aliados, grupo hoje rompido com o campo ligado ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).
Gilbson Cutrim Júnior foi condenado a 13 anos pela morte a tiros de um homem no edifício Tech Office, em São Luís.
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Em junho de 2025 o Tribunal de Justiça do Maranhão reduziu a pena para 9 anos e alterou o regime inicial de fechado para semiaberto, apesar de Gilbson responder à acusação de participar de outro assassinato.
Dino, que foi sorteado relator no STF de um habeas corpus relativo ao caso, deferiu em maio a progressão de regime e determinou a transferência de Gilbson para o sistema prisional do Distrito Federal, onde passou a cumprir o semiaberto.
No último dia 19, veio a público vídeo em que Gilbson acusa Brandão e personagens de seu grupo político, como a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB).
O vídeo foi divulgado pelo perfil @osanalistas, associado a jornalista que no ano passado foi anunciado por Felipe Camarão (PT) como integrante de sua pré-campanha.
Camarão é candidato ao governo do estado e hoje é um dos principais oponentes de Carlos Brandão, de quem foi vice.
Ao SBT News, a assessoria do petista disse que ele “não tem conhecimento sobre o vídeo em questão, veiculado em blog independente”, e que o jornalista não integra sua campanha.
As acusações de Gilbson, também feitas à Polícia Federal, relacionaram Carlos Brandão e Iracema Vale ao assassinato de Josival Cavalcanti da Silva, o Pacovan, morto em 2024.
“Está totalmente ligada a eles”, afirmou. Na gravação, ele não apresenta prova das imputações, dizendo apenas que as estava reunindo e iria torná-las públicas.
Em 22 de agosto, a Justiça Eleitoral determinou que o @osanalistas retirasse o vídeo do ar.
Procurado, o governo de Carlos Brandão não se manifestou até a publicação desta reportagem.
A deputada Iracema Vale publicou vídeo em suas redes afirmando não conhecer Pacovan e se dizendo “enojada” com as acusações.
“São tempos estranhos: uma pessoa que deveria estar presa por conta de tantos crimes consegue espaço para espalhar a sua infâmia”, disse.
No último dia 2 o deputado federal Aluísio Mendes (Republicanos-MA), que é aliado dos Brandão, foi à tribuna do plenário da Câmara criticar Dino.
“Nós temos visto verdadeiros absurdos com relação à investigação desse crime. Querem, por todas as maneiras, colocar o governador Carlos Brandão na cena do crime, dizendo que ele teve participação, que o seu sobrinho teve participação, (...) dando voz a um assassino confesso, com vários homicídios, vários crimes, em detrimento da voz de pessoas honestas e justas”, discursou.
“É impossível conceber que um Ministro do Supremo Tribunal Federal possa julgar um desafeto, um adversário político. Só no Brasil nós podemos ver essas coisas acontecerem.”
Procurado, o gabinete de Dino disse que todas manifestações sobre o caso só podem ser feitas nos autos.
Pela Lei de Execução Penal, um condenado não reincidente por crime cometido com violência ou grave ameaça deve cumprir 25% da pena para progredir.
O homicídio qualificado-privilegiado pelo qual Gilbson foi condenado não é considerado hediondo pela jurisprudência do STJ (Superior Tribunal de Justiça).
O TJ do Maranhão computou como tempo de cumprimento, além da prisão, o recolhimento domiciliar noturno a que ele esteve submetido entre setembro de 2022 e fevereiro de 2023.
Foi justamente durante esse período em liberdade com medidas cautelares que ocorreu o outro homicídio pelo qual Gilbson hoje é réu.
O Ministério Público do Maranhão o acusa de participação no ataque que matou Marcelo Martins Mendes e tentou matar Félix da Silva Mendes Filho, em 12 de janeiro de 2023, em São Luís.
Como não há condenação nesse segundo caso, a acusação, por si só, não altera a progressão no processo do Tech Office.
A defesa de Gilbson disse que, sobre o vídeo, o cliente não tem restrições a usar redes sociais e que as provas das acusações foram entregues ao STF.
Sobre o caso em que ele ainda é réu sob suspeita de outro assassinato, sua defesa disse que ele é representado por outro advogado, mas que mesmo assim encaminhou ao STF documento apontando um conluio para incriminar seu cliente de forma injusta nesse caso, com o objetivo de mantê-lo preso no Maranhão.
O SBT News não conseguiu entrar em contato com a defesa de Gilbson nesse caso.

























