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Gonet: Fala de Flávio soou como promessa de apoio a Vorcaro

PGR destacou mensagem enviada pelo senador na véspera da prisão do banqueiro: ‘Irmão, estou e estarei contigo sempre’

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Ranier Bragon
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, chefe do Ministério Público | Divulgação/MPF

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, chefe do Ministério Público | Divulgação/MPF

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, interpretou como uma possível “promessa de apoio ou interferências” do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) uma mensagem enviada por ele ao banqueiro Daniel Vorcaro às vésperas da primeira prisão do controlador do Banco Master.

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A avaliação consta de manifestação apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), em julho deste ano, no processo que resultou na abertura de uma investigação específica sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão de Vorcaro, Flávio tentou telefonar para o banqueiro e depois escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”

Ao analisar o conjunto das mensagens, Gonet afirmou que Vorcaro havia obtido, às vésperas da operação da Polícia Federal, “promessa de apoio ou interferências do próprio Senador”.

“O repasse de montante expressivo, sem contrapartida financeira conhecida (...) há de ser complementado por outros elementos (...) especialmente por envolver o proprietário do Banco Master (...) que obteve, às vésperas da deflagração da fase ostensiva da Operação

Compliance Zero, promessa de apoio ou interferências do próprio senador: ‘Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!’”, escreveu Gonet.

“O apanhado de achados mostra que, efetivamente, as investigações estão no seu momento inicial, carecendo de aprofundamento, igualmente e sobretudo, no que toca à prática de ato típico da função parlamentar que possa ser atribuída, numa lógica de causa e efeito, ao negócio cinematográfico mencionado.”

Gonet escreve então a Mendonça que é preciso adotar diligências para identificar eventuais contrapartidas de Flávio.

“Mostra-se relevante, e ainda por se realizar, a busca de elementos complementares da contrapartida financeira dos repasses, que vincule o financiamento à atuação parlamentar em pautas de interesse de Daniel Bueno Vorcaro”, escreveu o procurador-geral.

A PGR pediu, entre outras diligências, o levantamento de proposições legislativas apresentadas ou apoiadas por Flávio que pudessem ser de interesse do Banco Master, de empresas ligadas ao grupo ou de Vorcaro.

Também pediu uma busca completa nos celulares e computadores já apreendidos pela PF em procura de referências ao senador.

Mendonça autorizou em 22 de julho a abertura do procedimento investigatório vinculado ao inquérito do Banco Master. A decisão determinou à PF a realização das diligências que não dependessem de nova autorização judicial.

Gonet também teve o nome citado no relatório da PF divulgado por André Mendonça ao expor as relações de Vorcaro com Alexandre de Moraes. O relatório cita possível conversa entre o procurador e o então banqueiro e também suposto pedido de custeamento de despesas de viagem de seu filho, entre outros pontos. Gonet chegou a dar parecer opinando pela nulidade desse relatório.

A Polícia Federal havia pedido a abertura de uma investigação autônoma para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos relacionados ao financiamento de Dark Horse.

Segundo a PF, Flávio não aparecia apenas citado por terceiros, mas como interlocutor direto de Vorcaro nas tratativas sobre o filme, com cobranças de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento das gravações.

As conversas começaram ainda em dezembro de 2024. Em agosto de 2025, surgem registros de contatos diretos entre Flávio e Vorcaro.

Em 8 de setembro, o senador enviou um áudio cobrando pagamentos e demonstrou preocupação com compromissos assumidos com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.

Uma semana depois, segundo a PF, Flávio quis se reunir pessoalmente com Vorcaro para mostrar o que estava sendo gravado. No dia seguinte houve uma ligação entre os dois, na mesma data da última remessa identificada pela investigação da Entre Investimentos para o fundo americano Havengate Development Fund.

A Entre, empresa ligada ao empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, enviou US$ 12,3 milhões ao fundo ao longo de 2025. A PF afirma que os valores e o cronograma das transferências guardam correspondência com um contrato de financiamento do filme de US$ 24 milhões.

Na manifestação ao STF, Gonet afirmou haver “indícios consistentes” das condutas narradas, com possíveis crimes de corrupção ativa e passiva, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, mas frisou que as hipóteses ainda precisavam ser aprofundadas.

Flávio Bolsonaro inicialmente negou ter relação com Daniel Vorcaro, mas, após a divulgação das mensagens, admitiu os contatos e a busca de recursos para o filme. Desde então, sustenta que se tratou de uma relação privada, de captação de investimento para uma produção cinematográfica, sem uso do mandato, contrapartida política ou prática de crime.

O SBT News procurou a sua assessoria de campanha novamente nesta sexta-feira (11) e aguarda uma manifestação.

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